Num discurso inflamado aos apoiantes da sua “Rússia Unida”, Vladimir Putin queixou-se dos “chacais”. São os que, segundo ele, mendigam desesperadamente em várias embaixadas estrangeiras em Moscovo, para organizar uma campanha de oposição satisfatória.
Pode perguntar-se se este “peditório” (ao Ocidente, presume- -se) resulta de falta de patriotismo de quem se vende por um prato de lentilhas, ou da asfixia que o Kremlin mantém sobre o sistema político. A doutrina divide-se.
Espera-se, a bem da humanidade, que a possível ausência de observadores internacionais não tire legitimidade às próximas escolhas eleitorais dos russos, em Dezembro e em 2008, depois de longas campanhas.
E espera-se, a bem da possibilidade de análise política, que o presidente seja mais explícito sobre os seus planos.
É que a especulação desceu à rua.
Quererá Putin sair da presidência para a chefia do governo? Fá-lo-á com qualquer presidente, ou só com um grupo selecto de candidatos? Será um PM cerimonial, ou quererá um presidente assim?
Por outro lado, dizem alguns exegetas, o imperativo constitucional que proíbe um terceiro mandato consecutivo só se aplica, na letra e espírito da norma, se os dois anteriores forem “completos”.
A ser esta a interpretação do art.º 81, n.º 3, o que impediria Putin de renunciar, meses ou dias antes de completar o presente período legal, para se candidatar outra vez?
Não forçaria uma revisão constitucional à medida, e tudo estaria no melhor dos mundos.
2. Ainda não li o texto, mas dizem-me que o diário “República Islâmica”, de Teerão, publicou, há dias, um editorial violentíssimo contra o presidente Ahmadinejad. Em síntese, acusa-o de “imoralidade, ilegalidade e ilogicidade”, no tratamento da oposição, sobretudo daquela que acusa de “traição”, por contestar a sua estratégia de afirmação nuclear.
O jornal está próximo do Grande Líder Khamenei, não é pago pelo Grande Satã ianque, e costuma ser visto como uma publicação pia, integrista, conservadora e leal.
Segundo o texto, cujo resumo me chegou, chega a sugerir-se aos tribunais que procedam contra o chefe do Governo, impedindo-o de propagar o alarme social e de difamar os adversários internos.
Outra vez a questão dos “chacais”.
3. Meio da noite, Zagreb, Duisburg, Londres alegria familiar, com a Croácia a dar um banho de bom futebol (e um balde de água fria) à Inglaterra. Justos como sempre, os adeptos britânicos acabaram a bater palmas aos gigantes balcânico-adriáticos.
Desta vez, não houve chacais mediáticos, e até José Mourinho aparece como salvador do desporto-rei (diferente de desporto dos reis) na ex-pérfida Albion.
Nuno Rogeiro, Comentador político















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