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UM RAPAZ QUE EU CONHEÇO

Novembro 24, 2007 · Deixe um comentário

A Raríssimas, Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras lançou o desafio a personalidades e escritores: escrever um conto sobre o que é para cada um raro. E o desafio foi respondido por 14 individualidades, entre os quais os escritores José Luis Peixoto e Jacinto Lucas Pires, Rosa Lobato de Faria e Carlos Pinto Coelho. O resultado é um livro de contos cuja receita reverte, na totalidade, a favor da Raríssimas.

O conto inédito de José Luís Peixoto é este:

UM RAPAZ QUE EU CONHEÇO

“Eu conheço um rapaz, mais ou menos da minha idade, que sabe ser feliz. Ninguém tem explicação para esta condição altamente fora do normal, altamente improvável. Ele tem três irmãos e todos eles são pessoas comuns, iguais a milhões, biliões de outras. Quanto estão zangados, dizem palavras de que se arrependem. Quando estão desiludidos, vê-se nos seus rostos. Quando estão muito tristes, choram. Já o rapaz que sabe ser feliz nunca diz palavras de que se arrepende, nunca se vê o desalento no seu rosto, nunca chora. O seu rosto é o seu sorriso. Quando chega, sorri. Quando se despede, sorri. Fica muito tempo a ouvir as pessoas que querem falar com ele. Há muitas pessoas que gostam de falar com ele. Ele ouve nos momentos em que as pessoas querem que ele ouça. Ele faz perguntas nos momentos em que as pessoas querem sentir que ele está interessado. Ele sorri durante o tempo todo da conversa. Muitas vezes, as pessoas contam-lhe histórias tristes. Contam-lhe coisas más que fizeram, porque sabem que ele entenderá. Contam-lhe histórias de coisas que aconteceram: maldades e coisas más. Ele ouve porque gosta verdadeiramente de ouvir. Ele faz perguntas porque sente curiosidade verdadeiramente. Ele sorri sempre. Quando as pessoas lhe falam de coisas más, ele não sorri, mas ele sorri. Os seus lábios não têm a forma de um sorriso, mas os seus olhos sorriem. Os seus olhos não sorriem, mas têm um brilho que é um sorriso.

Quando estão muitas pessoas e ele chega, passa pouco tempo e todos sorriem com ele. Os mais amargos sorriem. Os mais invejosos sorriem. Os mais perversos sorriem. Os funcionários de repartições, os poetas, os advogados sorriem. Quando se despede, sorri e o seu sorriso permanece no rosto das pessoas durante o resto do dia. Contam-se muitas histórias sobre ele. Diz-se que, quando ele põe as mãos em concha, cresce uma bola de luz dentro das suas mãos. Diz-se que, quando ninguém está a ver, ele entorna essa luz sobre a cabeça das pessoas. Eu não duvido dessas histórias. Nunca vi essa bola de luz, nunca ninguém a viu, mas acredito. O seu sorriso é a sombra da sua alegria. Quando ele sorri, existe no seu interior uma alegria que é o sol. Quando ele sorri, o sol inteiro está apertado, quase a explodir, dentro dele. O seu sorriso tem muitas formas. É terno, entusiasmado, meigo, vivo, brando. As formas do seu sorriso são as formas exactas da alegria que existe dentro dele. Ele é sincero. Sabe ser feliz e, por isso, ele é feliz.

Contam-se muitas histórias sobre a origem da sua felicidade. Ninguém sabe qual é a verdadeira. Cada pessoa conta uma história diferente. Às vezes, as pessoas discutem sobre isso. Nunca chegam a uma conclusão. Se uns dizem que foi um vírus, outros dizem que nasceu assim. Às vezes, as pessoas zangam-se umas com as outras por causa disso. Às vezes, deixam de falar umas com as outras por causa disso. Fazem as pazes no momento em que voltam a encontrar o rapaz. Se uma dessas pessoas encontrar o rapaz de manhã, se a outra encontrar o rapaz à tarde, ficam com um sorriso grande para o resto do dia. Se depois disso se encontrarem, fazem as pazes. Uma das pessoas ficará a repetir desculpas para a outra que, ao mesmo tempo, repetirá desculpas também. Poucos horas depois de nascer, quando a mãe estava na maternidade, com os cabelos sobre a almofada, sem força, quando o pai estava de pé ao lado da cama, quando a enfermeira chegou com ele ao colo, quando a mãe o aceitou nos braços e fez com os lábios a forma de beijinhos, quando o pai se inclinou para o ver melhor, quando os pais o consideraram seu pela primeira vez, a mãe disse: Olha, parece que está a sorrir. Alguém me contou que, depois dessa hora, os seus pais sorriram durante o resto do dia. As pessoas que eles encontram sorriram também durante o resto do dia, assim como sorriram as pessoas que essas pessoas encontram. Aquele sorriso alastrou-se pelo mundo como se o varresse e, na última hora desse dia, todas as pessoas vivas sorriram. Ninguém sabe ao certo se essa história é verdadeira, mas não deixa de ser uma boa história.

A verdade absoluta é que esse rapaz que eu conheço sabe ser feliz. Já houve gente a pedir-lhe que explicasse a felicidade. Ele sorriu e não soube responder. Aqueles que lhe perguntaram sorriram e aceitaram essa resposta. Talvez ponha as mãos em concha, talvez cresça uma bola de luz dentro das suas mãos. Porque não? Eu e toda a gente que o conhece muitas vezes deixámos que as nossas mãos ficassem em concha durante momentos. Não resultou. Eu e toda a gente que conhece esse rapaz achámos que não conseguíamos. Duvidámos. Sofremos por duvidar. Depois, entendemos. As mãos em concha, uma bola de luz a crescer dentro das mãos. Faltava o mais importante. Eu e todos, em algum momento das nossas vidas percebemos que não basta formar uma concha com as mãos, é preciso sorrir. Depois, se olharmos bem, veremos como cresce uma bola de luz. Natural, incandescente, limpa. Quando ninguém está a ver, podemos entorná-la sobre a cabeça de alguém. O seu sorriso ensinar-nos-à sorrir ainda mais.”

JOSÉ LUÍS PEIXOTO – Escritor

In “Público”

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Adriano Correia de Oliveira

Novembro 2, 2007 · 1 Comentário

Évora

Há dias em que mais vale…

Há dias
Em que não cabes na pele
Com que andas
Parece comprada em segunda mão
Um pouco curta nas mangas

Há dias
Em que cada passo é mais um
Castigo de Deus

Parece
Que os sapatos que vês
Enfiados nos pés
Nem sequer são os teus

À noite voltas a casa
Ao porto seguro
E p´ra sarar mais esta corrida
Vais lamber a ferida
Para o canto mais escuro

Já vi
Há dias em que tu
não cabes
em ti

 Avança
Na cara desse torpor
Que te perde e te seduz
A espada como a um Matador
Com o gesto maior
Do seu peito Andaluz

Avança
Com a raiva que sentes
Quando rangem os dentes
Ao peso da cruz

Enfim,
Há dias em que eu
Também estou assim

Parece que pagamos os
Pecados deste mundo
Amarrados aos remos de um
Barco que está no fundo.

Ser Alentejano é um estado de Alma…

Alentejo & Sapientia

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Não é tarde nem é cedo…

Novembro 2, 2007 · Deixe um comentário

Benvindo ao “Alentejo a Cantar“, blog dedicado a toda a música e cultura deste nosso imenso Alentejo!

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Amy Winehouse

Outubro 23, 2007 · Deixe um comentário

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Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de S. Bento

Outubro 9, 2007 · Deixe um comentário

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Grupo de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento

Outubro 9, 2007 · 1 Comentário

Grupo de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento

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Igreja de S. Francisco

Outubro 9, 2007 · Deixe um comentário

Igreja de S. Francisco

Situada no centro da vila, é nesta Igreja que são celebradas as cerimónias religiosas quotidianas.

Desconhece-se ao certo em que ano esta Igreja foi construída, bem como quem a mandou construir, existindo no entanto duas versões diferentes em torno da sua construção.
Segundo os anais históricos da família de Assis e Brito, a igreja foi acabada de construir em 1846, sendo edificada sobre uma capela que no mesmo sítio existia e com o mesmo nome.
Tudo começou com a promessa efectuada pelo Capitão de Ordenanças e Major de Lanceiros Bernardino José de Brito o qual não conseguindo ter filhos (ou melhor, a sua esposa, D. Maria da Conceição Pacheco) prometeu a S. Francisco de Assis que se este a “agraciasse” com um filho varão, construiria uma igreja em seu louvor em Aldeia Nova de S. Bento e colocaria o nome do Santo a seu filho. Em 1804 nasceu o rebento ao qual foi posto o nome de Francisco de Assis de Brito, sendo baptizado a 25 de Julho desse mesmo ano. Faleceu em 1862 e durante a sua vida foi Morgado da Abóbada, morgadio que herdou de seu pai.

Existe outra versão sobre a história desta igreja.

Conta-se que no ano de 1738 o Infante D. Francisco, filho de D. Pedro II, veio em romaria à Igreja de S. Bento, com o intuito de visitar o Santo para cumprimento de uma promessa. Pensa-se que este Infante aquando da sua visita, tenha mandado construir a Igreja de S. Francisco existente nesta localidade.

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Igreja de S. Bento

Outubro 9, 2007 · Deixe um comentário

 

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Vila Nova de São Bento

Outubro 9, 2007 · Deixe um comentário

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Desenho de Cruz Louro – dezembro 1936

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Dezembro 1720 – Fotografia julho 2005


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BENTO COSTA, O restaurador da Igreja São Bento
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Localização da Igreja São Bento

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Igreja São Francisco

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Sob escuta

Outubro 9, 2007 · 1 Comentário

Janis Joplin

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