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Entradas categorizadas como ‘História/Estórias’

Percurso do Regicídio

Julho 3, 2008 · Deixe um comentário

A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) promove regularmente visitas guiadas a locais de interesse botânico, ecológico e histórico. A propósito do centenário do regicídio, propomos um percurso pela Baixa da cidade para reviver, numa espécie de “viagem no tempo”, os acontecimentos do dia em que o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, foram assassinados, a 1 de Fevereiro de 1908. A visita, guiada pela Drª Elisabete Rocha da Hemeroteca Municipal, será repartida pelos locais ligados ao regicídio, desde a espingardaria onde foram compradas as armas que mataram o Rei até ao café onde os conjurados conspiraram o regicídio.
Percurso do Regicídio
Dia: 14 de Julho de 2008
Ponto de encontro: Café Gelo (Rossio)
Duração da visita: 3 horas
Guia: Drª Elisabete Rocha (Hemeroteca Municipal)Tel: 21 392 18 28
Tm: 96 038 24 17
ldbotanico@fc.ul.pt

FOTO: Cortejo fúnebre de D. Carlos e D. Luís Filipe, na Praça do Príncipe Real, no dia 8 de Fevereiro de 1908. Imagem de Joshua Benoliel (1873-1932). Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal

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A COMPREENSÃO SEGUNDO SARAMAGO

Janeiro 7, 2008 · Deixe um comentário

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“Um livro não se faz com ideias, faz-se com palavras”

Dezembro 19, 2007 · 1 Comentário

“Um livro não se faz com ideias, faz-se com palavras”

Sempre de cigarro entre os dedos, desafiando as regras do politicamente correcto, António Lobo Antunes desmontou também algumas ideias feitas acerca do ofício da escrita. Por exemplo, a de que uma boa ideia faz sempre um bom livro.

O Meu Nome é Legião, o mais recente romance de António Lobo Antunes, foi o pretexto para uma visita do escritor à Biblioteca Municipal de Beja, na quarta-feira, 5, cidade a que não retornava há 14 anos. Mas o autor de Os Cus de Judas, este ano distinguido com o Prémio Camões, não perdeu muito tempo a falar da obra em si, preferindo deixar a conversa fluir ao sabor das perguntas de um auditório cheio e ávido. “Se eu pudesse resumir um livro em cinco minutos, para quê passar dois anos a escrevê-lo?”, declarou, logo de entrada. Os temas sucederam-se assim, sem rumo certo, desde a infância do autor, passando pela experiência da medicina, até ao mundo da literatura, com repetidas referências ao escritor já desaparecido José Cardoso Pires – “um irmão mais velho para mim” – e à sua própria visão dos livros enquanto autor. Sempre de cigarro entre os dedos, desafiando as regras do politicamente correcto, António Lobo Antunes desmontou também algumas ideias feitas acerca do ofício da escrita. Em primeiro lugar, a de que um bom livro se faz de uma boa história: “Um livro não se faz com ideias, faz-se com palavras. Eu insisto muito neste ponto: quando uma pessoa diz que tem uma ideia muito boa para um livro, eu não tenho a menor dúvida de que o livro é mau. Porque são as palavras que geram as palavras”.

Foi assim com o romance anterior, Ontem não te vi em Babilónia, que partiu da simples conjectura “como é que a noite se transforma em manhã?”, e é assim com O Meu Nome é Legião, que segue a vida dos jovens de um bairro social da periferia de uma grande cidade, descrita através de um relatório de polícia, num registo próximo da crónica. “Cada vez mais, quando começo um livro não tenho nada na cabeça. Neste último livro, o que eu tinha era um grupo de miúdos, aquilo a que as pessoas chamam delinquentes, crianças entre os 12 e os 18 anos. Faziam assaltos, matavam pessoas, roubavam. Porque sempre me pareceu que aquilo era muito mais uma forma de comunicar, a única forma que lhes era possível. E que a vida, a morte e a sociedade tinham para eles um significado diferente”.

E foi tudo o que Lobo Antunes disse sobre o romance que anda a promover pelo País, acompanhado pelo editor da D. Quixote. A partir daqui, colocou-se nas mãos da plateia, mediante o acordo de responder o que quisesse ao que lhe fosse perguntado. Por isso recordou a passagem pelo curso de medicina, em obediência aos desejos do pai, médico, o primeiro contacto com a realidade da morte, nos bancos de faculdade, ou a relutância em deixar a carreira, quando era já o que se chama “um psiquiatra da moda”, para se dedicar inteiramente ao que sempre soube que iria fazer, “desde que nasci”. “Sentia-me uma orelha enorme sentada numa cadeira onde as pessoas despejavam. Mas eu tinha medo de não ganhar o dinheiro suficiente para viver. A primeira vez que ganhei o Grande Prémio de Romance e Novela [Associação Portuguesa de Escritores] pensei que tinha que tomar uma decisão mas fiz isso com muito medo”, reconheceu, não enjeitando, no entanto, o seu anterior modo de vida, do qual conserva uma “certa saudade”. Acima de tudo pela “sensação de ser útil”, no contacto directo com os doentes. Pelo contrário, “enquanto escritor, eu não sei para quem escrevo porque não vejo as pessoas, estou ali sozinho”, disse, confessando que trabalha “virado para a parede”, com recurso ao velho método do papel e caneta, e com um livro aberto à frente, como fazia nos tempos do liceu para tentar dissimular, aos olhos dos pais, a “actividade pouco séria” da escrita.

“A literatura não é para distrair ninguém”

Desfiando histórias como se estivesse entre amigos, o premiado e traduzidíssimo escritor, há anos apontado como possível Prémio Nobel da Literatura, confessou também o seu “medo de escrever”. Em primeiro lugar, por nunca estar certo de ser capaz de escrever o próximo livro – “há pessoas que têm três, quatro livros na cabeça. Eu nunca tive nada” – depois, pelo receio de defraudar os leitores, “pessoas que depositaram em mim uma fé que eu nunca tive”. Mas há ainda um terceiro factor: a dificuldade. O primeiro capítulo de um livro pode chegar a ter 15 versões, até a obra “encontrar o seu caminho”, pelo que é frequentemente um processo demorado e penoso, de espera, às vezes infrutífera, pelas palavras certas. Sendo tão difícil escrever, o que mais impressiona o autor é que se publique tanto e – certamente por isso mesmo – tantas vezes, maus livros. Foi talvez o único momento em que Lobo Antunes revelou alguma amargura no discurso, aquele em que se referiu à “política editorial” enquanto algo que o indigna profundamente. “Publica-se o lixo porque o lixo dá dinheiro. E as pessoas compram e dizem: é para me distrair. Mas a literatura não é para distrair ninguém. Eu não quero distrair ninguém, não quero entreter ninguém. A literatura para mim, enquanto leitor, é um acto de conhecimento e aprendizagem. Sobre a vida, sobre mim mesmo”, rematou, deixando também claro a sua especial consideração pelos leitores portugueses, para quem escreve acima de tudo. “Eu escrevo sobretudo para as pessoas do meu país. Cada vez me sinto mais português, cada vez gosto mais do meu país, cada vez me sinto melhor aqui. É aqui que eu quero viver, é aqui que eu quero morrer”.

DIÁRIO DO ALENTEJO

autor Carla Ferreira texto | José Serrano fotos

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OMOSESSUALITÀ VATICANA

Novembro 24, 2007 · Deixe um comentário


Helena Matos comenta (texto transcrito abaixo) o caso de monsenhor Tommaso Stenico, suspenso das suas funções na Curia Romana. Ao contrário do que diz Helena Matos, que provavelmente não leu os jornais italianos de ontem, monsenhor Stenico não confessou ser gay. Pelo contrário. Tem negado sistematicamente essa condição. O que nós pensamos disso é outra coisa. Monsenhor Stenico, psicanalista, foi surpreendido com a divulgação pública (num canal de televisão) da gravação de uma das sessões que manteve com um paciente jovem, a quem deu conselhos ao arrepio da doutrina da Igreja. Monsenhor Stenico, psicanalista, defende-se (e com razão) com o segredo profissional e denuncia a criminosa invasão de privacidade.

Continua por apurar como foi efectuada a gravação e como é que ela chegou à televisão e aos jornais. O pano de fundo da história é um site com blogue incorporado, que promove encontros homossexuais, e é mantido por um colectivo de altos prelados que assinam sob nome de código. Aparentemente, monsenhor Stenico — que colaborava no blogue com o seu próprio nome — é um alvo mais fácil do que certas eminências. Monsenhor Stenico foi só um pretexto. Onde é que a gente já viu este filme?

Comentário de HELENA MATOS

Coisas que também não se entendem

A notícia do padre suspenso por ter confessado ser gay tem dado a volta ao mundo.

Segundo o PÚBLICO:

«Vaticano suspende padre que confessou ser gay na televisão O Vaticano suspendeu um padre que tem uma posição elevada na Santa Sé por ter confessado, num programa da televisão italiana, ter tido relações sexuais com outros homens.(…) Este era um dos quatro padres que se declararam homossexuais e participaram num programa transmitido a 1 de Outubro pela televisão La 7.»

Talvez a minha ignorância sobre os procedimentos do Vaticano explique a minha dúvida mas se ele tivesse confessado na televisão que mantinha relações sexuais com mulheres o Vaticano não o suspendia?

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UM RAPAZ QUE EU CONHEÇO

Novembro 24, 2007 · Deixe um comentário

A Raríssimas, Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras lançou o desafio a personalidades e escritores: escrever um conto sobre o que é para cada um raro. E o desafio foi respondido por 14 individualidades, entre os quais os escritores José Luis Peixoto e Jacinto Lucas Pires, Rosa Lobato de Faria e Carlos Pinto Coelho. O resultado é um livro de contos cuja receita reverte, na totalidade, a favor da Raríssimas.

O conto inédito de José Luís Peixoto é este:

UM RAPAZ QUE EU CONHEÇO

“Eu conheço um rapaz, mais ou menos da minha idade, que sabe ser feliz. Ninguém tem explicação para esta condição altamente fora do normal, altamente improvável. Ele tem três irmãos e todos eles são pessoas comuns, iguais a milhões, biliões de outras. Quanto estão zangados, dizem palavras de que se arrependem. Quando estão desiludidos, vê-se nos seus rostos. Quando estão muito tristes, choram. Já o rapaz que sabe ser feliz nunca diz palavras de que se arrepende, nunca se vê o desalento no seu rosto, nunca chora. O seu rosto é o seu sorriso. Quando chega, sorri. Quando se despede, sorri. Fica muito tempo a ouvir as pessoas que querem falar com ele. Há muitas pessoas que gostam de falar com ele. Ele ouve nos momentos em que as pessoas querem que ele ouça. Ele faz perguntas nos momentos em que as pessoas querem sentir que ele está interessado. Ele sorri durante o tempo todo da conversa. Muitas vezes, as pessoas contam-lhe histórias tristes. Contam-lhe coisas más que fizeram, porque sabem que ele entenderá. Contam-lhe histórias de coisas que aconteceram: maldades e coisas más. Ele ouve porque gosta verdadeiramente de ouvir. Ele faz perguntas porque sente curiosidade verdadeiramente. Ele sorri sempre. Quando as pessoas lhe falam de coisas más, ele não sorri, mas ele sorri. Os seus lábios não têm a forma de um sorriso, mas os seus olhos sorriem. Os seus olhos não sorriem, mas têm um brilho que é um sorriso.

Quando estão muitas pessoas e ele chega, passa pouco tempo e todos sorriem com ele. Os mais amargos sorriem. Os mais invejosos sorriem. Os mais perversos sorriem. Os funcionários de repartições, os poetas, os advogados sorriem. Quando se despede, sorri e o seu sorriso permanece no rosto das pessoas durante o resto do dia. Contam-se muitas histórias sobre ele. Diz-se que, quando ele põe as mãos em concha, cresce uma bola de luz dentro das suas mãos. Diz-se que, quando ninguém está a ver, ele entorna essa luz sobre a cabeça das pessoas. Eu não duvido dessas histórias. Nunca vi essa bola de luz, nunca ninguém a viu, mas acredito. O seu sorriso é a sombra da sua alegria. Quando ele sorri, existe no seu interior uma alegria que é o sol. Quando ele sorri, o sol inteiro está apertado, quase a explodir, dentro dele. O seu sorriso tem muitas formas. É terno, entusiasmado, meigo, vivo, brando. As formas do seu sorriso são as formas exactas da alegria que existe dentro dele. Ele é sincero. Sabe ser feliz e, por isso, ele é feliz.

Contam-se muitas histórias sobre a origem da sua felicidade. Ninguém sabe qual é a verdadeira. Cada pessoa conta uma história diferente. Às vezes, as pessoas discutem sobre isso. Nunca chegam a uma conclusão. Se uns dizem que foi um vírus, outros dizem que nasceu assim. Às vezes, as pessoas zangam-se umas com as outras por causa disso. Às vezes, deixam de falar umas com as outras por causa disso. Fazem as pazes no momento em que voltam a encontrar o rapaz. Se uma dessas pessoas encontrar o rapaz de manhã, se a outra encontrar o rapaz à tarde, ficam com um sorriso grande para o resto do dia. Se depois disso se encontrarem, fazem as pazes. Uma das pessoas ficará a repetir desculpas para a outra que, ao mesmo tempo, repetirá desculpas também. Poucos horas depois de nascer, quando a mãe estava na maternidade, com os cabelos sobre a almofada, sem força, quando o pai estava de pé ao lado da cama, quando a enfermeira chegou com ele ao colo, quando a mãe o aceitou nos braços e fez com os lábios a forma de beijinhos, quando o pai se inclinou para o ver melhor, quando os pais o consideraram seu pela primeira vez, a mãe disse: Olha, parece que está a sorrir. Alguém me contou que, depois dessa hora, os seus pais sorriram durante o resto do dia. As pessoas que eles encontram sorriram também durante o resto do dia, assim como sorriram as pessoas que essas pessoas encontram. Aquele sorriso alastrou-se pelo mundo como se o varresse e, na última hora desse dia, todas as pessoas vivas sorriram. Ninguém sabe ao certo se essa história é verdadeira, mas não deixa de ser uma boa história.

A verdade absoluta é que esse rapaz que eu conheço sabe ser feliz. Já houve gente a pedir-lhe que explicasse a felicidade. Ele sorriu e não soube responder. Aqueles que lhe perguntaram sorriram e aceitaram essa resposta. Talvez ponha as mãos em concha, talvez cresça uma bola de luz dentro das suas mãos. Porque não? Eu e toda a gente que o conhece muitas vezes deixámos que as nossas mãos ficassem em concha durante momentos. Não resultou. Eu e toda a gente que conhece esse rapaz achámos que não conseguíamos. Duvidámos. Sofremos por duvidar. Depois, entendemos. As mãos em concha, uma bola de luz a crescer dentro das mãos. Faltava o mais importante. Eu e todos, em algum momento das nossas vidas percebemos que não basta formar uma concha com as mãos, é preciso sorrir. Depois, se olharmos bem, veremos como cresce uma bola de luz. Natural, incandescente, limpa. Quando ninguém está a ver, podemos entorná-la sobre a cabeça de alguém. O seu sorriso ensinar-nos-à sorrir ainda mais.”

JOSÉ LUÍS PEIXOTO – Escritor

In “Público”

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A Grande Arte

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

“Imagina o sofrimento das poucas pessoas que conseguiam sofrer por mim. Quando são poucas as pessoas que podem sofrer por outra, o sofrimento é maior, ainda que menos espectacular e repercutível. Quando morre um artista famoso, um montão de pessoas grita as suas lamentações, mas na verdade cada um sofre um pouquinho apenas, mas tudo junto parece um maremoto de dor. Mas vamos imaginar uma mulher sozinha cujo único filho morre. Isso não tem a menor repercussão, mas o sofrimento dessa mãe singular é maior do que o sofrimento epidérmico das outras centenas de pessoas lamentando a morte do ídolo, e todos os ídolos têm pés de barro e cu de hemorróidas.”

Rubem Fonseca, em “A Grande Arte”

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Proclamação da República

Novembro 22, 2007 · Deixe um comentário

Proclamação da República  Conheça o processo que derrubou a monarquia e implantou o sistema republicano no Brasil.

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A Corte Portuguesa No Brasil

Novembro 22, 2007 · Deixe um comentário

Brasil Colônia

A Corte Portuguesa No Brasil

É a madrugada de 27/11/1807 e a corte, desesperada, se atropela com pressa e desordem no cais de Belém.

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