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O adeus às velhas divisões do desenvolvimento

Novembro 30, 2007 · Deixe um Comentário

James D. Wolfensohn

O adeus às velhas divisões do desenvolvimento


A noção de divisão entre o Norte rico e o Sul desenvolvido tem sido, já há muito tempo, um conceito central entre economistas e decisores políticos. De 1950 a 1980, o Norte contribuiu com perto de 80% do PIB global, mas apenas com 22% da população, ao passo que o Sul contou com a restante população global e 20% dos rendimentos do planeta.

Mas a divisão Norte-Sul já está obsoleta. O dinâmico processo de globalização resultou em níveis de crescimento e de interdependência sem precedentes. Contudo, ao mesmo tempo que esta velha divisão se vai dissipando, outras têm vindo a substitui-la, separando o mundo actual em quatro níveis interligados.

O primeiro nível engloba os países abastados, nomeadamente os Estados Unidos, as nações europeias, a Austrália e o Japão – com uma população conjunta de cerca de mil milhões de pessoas e rendimentos per capita compreendidos entre 79 mil dólares (Luxemburgo) e 16 mil dólares (República da Coreia). Nos últimos 50 anos, estes países abastados dominaram a economia global, sendo responsáveis por quatro quintos da sua produção económica. No entanto, mais recentemente, surgiu um novo grupo de economias que está a contestar o domínio económico dos países abastados.

Estas economias emergentes – chamemos-lhe globalizadoras – constituem um segundo nível, composto por cerca de 30 países pobres e com rendimentos médios (onde se incluem a China e a Índia), com taxas de crescimento do PIB per capita de 3,5% e mais, e com uma população total de 3,2 mil milhões de pessoas – o que corresponde a perto de 50% da população mundial. Estes países têm registado níveis ímpares de crescimento económico sustentado que poderão permitir-lhes substituir os “abastados” como motores da economia mundial.

Os globalizadores são um grupo vasto e diversificado de países – em dimensão, geografia, cultura e história – que aprenderam como se integrar de forma óptima na economia global – e alavancando-a – para catalisarem o seu desenvolvimento.

Existe um terceiro nível que é constituído por, aproximadamente, 50 países com rendimentos médios e uma população agregada de 1,1 mil milhões de pessoas. Dispõem, também, de muitos dos mais importantes recursos naturais do planeta, possuindo cerca de 60% das reservas provadas de petróleo. Mas este “rentiers” [que vivem das receitas dos seus recursos] ainda não conseguiram traduzir as receitas da riqueza dos seus recursos naturais em crescimento económico sustentado.

O quarto nível agrega os países que estão a ficar para trás – as economias mais pobres do mundo, com mais de mil milhões de pessoas. Em termos económicos, continuam a estagnar ou a declinar. Essencialmente localizados na África subsaariana, estes países “vagarosos” estão bastante isolados da economia global e deparam-se com desafios cruciais em matéria de desenvolvimento.

Este quarto nível emergente apresenta-nos três desafios-chave. Em primeiro lugar, precisamos de intensificar os nossos esforços para garantirmos que os países atrasados deixam de ficar para trás. Isto requer mudanças de política, bem como ajudas mais generosas e mais eficazes. Se considerarmos a questão das ajudas financeiras, percebemos que, apesar de a ajuda ao desenvolvimento ter aumentado em 2005 para 107 mil milhões de dólares, a maior fatia desse dinheiro destinou-se a “circunstâncias especiais”, tais como o perdão da dívida ao Iraque e ao Afeganistão. A triste verdade é que a ajuda ao desenvolvimento em África diminuiu de 49 dólares por pessoa em 1980 para 38 dólares por pessoa em 2005. As reais necessidades de desenvolvimento dos países mais atrasados e de outras regiões do mundo não estão a ser colmatadas, apesar da retórica sobre o aumento do montante das ajudas.

Em segundo lugar, as antigas potências precisam de acomodar o despontar das economias globalizadoras – particularmente a China e a Índia – e para isso é preciso que reformemos o nosso ordenamento internacional. Os países abastados continuarão a ser importantes intervenientes globais, mas à medida que o poder económico relativo dos globalizadores for aumentando, estes exigirão um papel mais preponderante nos assuntos internacionais. A maioria dos países abastados não parece estar preparada para esta mudança, mas essas exigências terão de ser atendidas.

Por último, se bem que os globalizadores tenham retirado milhões de pessoas da pobreza e reduzido as desigualdades a nível mundial, esse cenário não resultou num mundo mais igualitário porque há economias-estrela, como a Índia e a China, que estão a experimentar uma maior desigualdade interna. Quer estejam em causa as zonas costeiras versus zonas interiores ou as zonas rurais versus zonas urbanas, estes países têm de conseguir resolver as suas crescentes disparidades, pois o elevado nível de desigualdade pode muito bem ameaçar a sua capacidade de continuarem a crescer como tem sucedido até aqui.

Se quisermos criar um mundo mais equitativo, então as tradicionais alavancas do desenvolvimento, como o comércio, investimento, ajuda financeira e migração, precisam de ser elevadas de forma abrangente e coerente. Além disso, as instituições globais precisam de ser reestruturadas. Só assim melhoraremos a nossa capacidade para lidar com os desafios globais e só assim conseguiremos melhorar as nossas previsões para a criação de um mundo mais justo. Se assim não for, poderemos estar a dizer adeus às antigas divisões, mas também a acolhermos outras que as vêm substituir. (JN)

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O desassossego tecnológico

Novembro 29, 2007 · Deixe um Comentário

O que se explica de muitas maneiras e se atribui às mais variadas causas. Alguns falam do declínio das nações que gera a sensação de perda de identidade; outros do novo capitalismo global que provoca desemprego e precariedade em toda a parte; no aumento da mobilidade humana que amplia conflitos entre diferentes culturas e comportamentos; na crise ambiental; no alastramento da miséria e da exclusão com o inevitável crescimento da criminalidade associada; e, acima de tudo, no papel dos media, através de uma incessante exploração mórbida da desgraça e do negativismo.

Será assim. Mas, mais do que tudo isto junto, as chamadas novas tecnologias constituem hoje a grande fonte da instabilidade. São elas aliás que estão na origem de alguns dos factores referidos.

A tecnologia sempre foi uma ameaça ao que está. A inovação tecnológica resulta inevitavelmente no extermínio de muita actividade económica e humana. São as profissões que perdem utilidade prática, o encerramento de fábricas tornadas subitamente obsoletas, os modos de vida que, tal como os animais e plantas, se extinguem por brutal alteração ambiental. No curto espaço de poucas décadas, certos mundos sofreram impressionantes mutações.

Imagine-se a sorte do tipógrafo que aprendeu a manejar diligentemente o linótipo, compondo letra a letra textos como este e que, de súbito, se teve de readaptar ao domínio do offset e do fotolito, para logo de seguida se ver perante a tremenda revolução dos computadores e dos processos digitais. Quantos foram capazes de sobreviver a tanta reciclagem? Ou ainda, para ficar neste domínio, pense-se no destino das fábricas da famosa e muito revolucionária “letra-set” que rebentou com o constrangimento das colunas e libertou grafismos. Ou no ardina, que percorria a cidade dobrando os jornais como um boomerang que era atirado logo pela manhã para a nossa varanda.

Tudo extinto em muito menos do tempo de uma vida. E que dizer dos professores, aqueles que têm por missão transmitir um conhecimento que agora se desactualiza diariamente? Ou de tantas outras profissões e saberes que simplesmente desapareceram, alfaiates, costureiras, varinas, dactilógrafas, telefonistas, cartógrafos.

Nada que não tenha acontecido desde os primórdios. Contudo, sendo certo que a inovação tecnológica sempre gera mudanças que muitos não são capazes de acompanhar, a revolução digital, expressa nas chamadas novas tecnologias, representa um novo tipo de instabilidade que afecta as vidas de todos. Já que, neste caso, não se trata de simples alterações produtivas, mas de um processo que assenta na própria instabilidade permanente. O novo universo digital é mutante por natureza.

Instável nos produtos e aplicações. Quantos modelos de telemóveis não nos passaram pelas mãos na última década? Quantos computadores não fomos obrigados a adquirir só para nos mantermos minimamente actualizados. Eu que sou da geração do Spectrum já lhes perdi a conta. Quantas linguagens e sistemas operativos tivemos de aprender para logo tudo ter de reaprender passados poucos meses? Que saltos conceptuais não fomos obrigados a dar, desde os excitantes BBS dos anos 80, às sucessivas evoluções da Internet? Que exigências físicas e mentais não nos foram impostas por ratinhos, teclados e monitores? Quantas canetas e envelopes não foram deitados para o lixo com a disseminação dos emails? E isto só no plano da vida corrente e para não falar de todos os grandes medos associados às novas tecnologias: o domínio das máquinas, a manipulação genética, a extinção catastrófica.

No novo mundo digital, nada é estável nem seguro. O desassossego é a condição por excelência do sistema. Um desassossego que naturalmente alastra para as vidas quotidianas gerando fenómenos de resistência e conflitualidade. Potenciando sentimentos do tempo irremediavelmente perdido, expresso em discursos do antigamente é que era bom, ampliando a aversão a essa mudança que tanto afecta o bairro ou a aldeia onde nascemos quanto as ideias que nos fizeram. Desassossego esse que vai povoando o planeta com multidões de gente confusa e inadaptada pronta a agarrar-se a qualquer coisa de aparentemente seguro ou fiável: a nossa terra, a tradição, as religiões. Numa pura ilusão.

Tanto mais que, embora do ponto de vista individual a situação seja tantas vezes dramática, se pensarmos em termos de sociedade humana ela significa um enorme salto evolutivo. A instabilidade é a característica mais comum da evolução. É à “beira do caos”, segundo expressão de Christopher Langton, que as coisas realmente acontecem.

Ao mesmo tempo que a revolução digital vem provocando grandes convulsões sociais, por outro lado ela representa uma efectiva aceleração e amplificação das capacidades humanas. Nunca como hoje o saber e a inteligência estiveram tão disponíveis, para uso imediato, por um tão vasto número de pessoas no planeta. Nunca tantos tiveram acesso aos meios da inovação e nela participaram activamente. Nunca a engrenagem da mudança e do desenvolvimento foi tão dinâmica.

A instabilidade não é uma desgraça, é um modelo de criatividade. O desassossego tecnológico não é um mal, é a condição cultural do homem na nossa era.

Leonel Moura (JN)

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LARGAR LASTRO

Novembro 24, 2007 · Deixe um Comentário

Há uma diferença entre deter poder ou exercer poder. O poder apenas detido é despido de sentido útil: aproveita ao próprio mas não aos outros. Exercer o poder é uma coisa diferente, é aproveitar uma oportunidade para poder fazer coisas que são úteis para os outros. É assim na política, na vida económica ou cultural. O exercício do poder político confere a possibilidade única de transformar coisas, reformar, melhorar, romper bloqueios – é uma actividade nobre, ao contrário do que a cultura de mesa de café gosta de dizer. Conheci muitos políticos que tanto lhes fazia o lugar que ocupavam ou a capacidade de acção de que dispunham nessas funções. Limitavam-se a deter poder, para satisfação da sua própria vaidade ou para se ‘manterem em jogo’ para futuras e outras oportunidades. Mas também conheci os que apenas quiseram o poder enquanto acreditaram que dele podiam fazer um instrumento transformador para melhorar as coisas. E conheci até alguns que nunca aceitaram os cargos para que foram convidados por entenderem que o seu lugar seria inútil ou desprovido de sentido. De igual modo, o exercício do poder económico pode ser uma oportunidade para acrescentar valor às empresas, postos de trabalho, riqueza para o país. E o poder cultural, exercido criativamente, é também um serviço prestado à comunidade.

Entendido assim, o poder não tem nada de corruptor. É uma coisa fugaz, com um objectivo concreto e um espírito de missão claro. Assim que as circunstâncias mudam ou a missão está cumprida, abandona-se e vai-se fazer outra coisa. Por mais que possa custar pessoalmente, a grandeza está em largar e não em continuar agarrado ao poder. Como acontece com tantas outras situações, em determinadas alturas da vida, a sabedoria consiste em saber sair, antes que nos peçam para sair. É o que eu chamo largar lastro: abandonar o que já não serve ou não faz sentido nem bem algum e ir à procura de outra coisa, porque a vida não tem só um caminho e ninguém, mesmo, é insubstituível. Infelizmente, para certas pessoas, largar equivale como que a uma morte em vida. Pobres vidas!

Dou alguns exemplos de gente que, em áreas diferentes, não sabe largar o poder, se acha único e insubstituível e não é capaz de se retirar de cena, convencendo-se que é a vontade dos outros que os mantém atados ao leme, como dizia Fernando Pessoa, a propósito de Bartolomeu Dias.

Comecemos pelo presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Depois de 22 anos de poder pessoal e absoluto, teve em 2004 uma oportunidade de retirada em grande que os deuses raramente concedem em casos destes. Campeão Europeu de clubes (uma proeza dificilmente repetível nas décadas seguintes), tinha acabado de inaugurar um estádio novo e lindo e vendera parte das jóias da coroa ao estrangeiro, conseguindo um encaixe financeiro também ele irrepetível e que lhe poderia ter permitido pagar logo o estádio todo ou reduzir o passivo do clube a números residuais. Se tivesse saído nessa altura, teria o Porto a seus pés, o país esmagado de admiração e roído de inveja e a eterna gratidão dos portistas. Mas, preferiu ficar, aparentemente porque não tem vida fora do clube. E o que se seguiu foi uma série de desastres e erros de gestão de toda a ordem: cinco treinadores contratados, dezenas de jogadores adquiridos, dos quais a esmagadora maioria só podem ter vindo por engano, défices astronómicos acumulados em três anos de descontrolo que rapidamente engoliram os lucros de 2004 e, finalmente, a confusão do ‘Apito Dourado’ e as vinganças da ex-primeira-dama, numa sucessão de episódios degradantes que bem poderia ter evitado. Agora, se sair e quando sair, se mandar calar por instantes os aduladores que sempre rodeiam o poder perpétuo, escutará um surpreende suspiro de alívio das bancadas.

Segue-se o caso terminal de Alberto João Jardim. Ao longo de trinta anos, venceu já vinte e não sei quantas eleições consecutivas – o que lhe garante desde logo um lugar, se não na história, pelo menos no ‘Guiness’. Ganha e governa com a mais eficaz e simples das receitas: dinheiro, muito dinheiro, dos outros. Com tanto dinheiro arrancado aos nossos bolsos, só poderia ter obra feita e que dá nas vistas, apesar de todos os desperdícios, os descaminhos e os gastos sumptuários, que convivem com zonas de miséria inexplicáveis, essas escondidas da vista e dos votos. Mas ‘tem obra feita’, como repetem sempre, muito circunspectos, os PSD. E parece que tinha também ambições políticas mais vastas e mais continentais. Mas, à força de se arrastar no poder fácil da Madeira e nas suas vitórias eleitorais de meia-tigela, queimou-as. Se hoje aqui aparecer a votos, será cilindrado (e felizmente!). Porque o que tinha de aura de fazedor acabou por se revelar à luz crua dos dinheiros sem fim que nos custa e o que, a certa altura, chegou a ter de engraçado, acabou por se tornar previsível e repetitivo, até que a audiência deixou de lhe achar graça.

Último exemplo: Jardim Gonçalves, o fundador e eterno mandante do BCP. Criou o primeiro banco privado português e logo revolucionou a banca, passando a tratar os clientes como clientes e não como suplicantes, como até aí sucedia. Fez os bancários vestirem-se de gravata, abandonando o ar de empregados de cervejaria revolucionários e ensinou-lhes a deixar de tratar os clientes com arrogância e desdém. Depois, modernizou a banca toda e fez parte de uma geração que, de facto, tornou a banca portuguesa um dos raros sectores de excelência na gestão empresarial. A certa altura, criada fama, prestígio e riqueza, ultrapassados os 70 anos de idade, usado até à exaustão cada migalha de poder que foi detendo e sempre acrescentando, anunciou a retirada e a chegada ao poder de uma nova geração. Mas era apenas um truque, para fingir que estava de fora, continuando a tudo controlar. E, quando esse controlo se tornou um obstáculo à governação do banco, em lugar de consumar de vez, e sem mais subterfúgios, a retirada, foi à luta – uma luta feia e desprestigiante – para afastar a tal nova geração que lá havia colocado e continuar a governar por interpostos representantes. Perdeu, também ele, a oportunidade de sair em beleza. Agora, as sequelas da guerra que semeou, por pura vontade de mando e vaidade, viram-se contra si, em sucessivas revelações devastadoras e de que, decerto, ainda não vimos o fundo. Os episódios do perdão de dívida e de juros, ao filho e ao aliado, são de tal maneira chocantes que só uma obstinação que já é do domínio da patologia pode ainda fazê-lo manter-se em funções, uma semana depois de a notícia do Expresso ter destruído para sempre a sua imagem de gestor rigoroso, criada ao longo de trinta anos. E tudo se agravou mais com as inacreditáveis justificações que ele e o próprio filho resolveram dar para explicar como é que o maior banco privado português atira borda fora pelo menos 22 milhões de euros em negócios de favor. Decerto que não terá perdido as qualidades que o fizeram conseguir ver antes e mais longe que muitos outros, no negócio bancário. Mas, porque assim é, ele, mais do que ninguém, deve saber que um banco vive da imagem e da credibilidade pública. E, nos últimos meses, ninguém, mais do que o eng.º Jardim Gonçalves, se tem dedicado afanosamente a destruí-las.

Por MIGUEL SOUSA TAVARES

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O ORÇAMENTO

Novembro 24, 2007 · Deixe um Comentário


Quer queira, quer não, Sócrates tem um contrato tácito com os portugueses. Que não cumpriu. Perante a situação financeira criada por Guterres, primeiro, e a seguir pelos governos do PSD, Sócrates tomava as medidas necessárias para pôr as coisas na ordem e os portugueses, como de costume, aceitavam sem protesto alguns sacrifícios. No contrato, estava implícito que, embora os portugueses por um tempo pagassem mais, Sócrates diminuiria drasticamente as despesas do Estado e, acima de tudo, a despesa corrente primária, sustento da ineficiência e do parasitismo. Isto implicava, e ainda implica, uma reforma do Estado séria e drástica, que limitasse o alcance e a área da sua intervenção (em muitos casos notoriamente inútil e em outros nociva) e que reduzisse o número de funcionários da administração central.

Desde que Sócrates governa, os portugueses de ano em ano pagaram de facto cada vez mais. Mas Sócrates só fingiu que reformava o Estado. Para começar, poupou em pensões, poupou em salários, deu (com uma certa justificação) menos dinheiro ao poder local e praticamente parou o investimento público. Foi por este caminho de facilidade e com esta táctica de mercearia que adquiriu uma fama espúria de “coragem” (o inimigo era fraco) e, não se percebe por quê, de persistência e “determinação”. De resto, e se não contarmos o programa Simplex, que não passou de uma campanha publicitária, Sócrates não fez nada. Houve um mar de reuniões, de planos, de papeletas, de promessas, que produziu como único resultado a mistura ou fusão de umas centenas de serviços. No fim, ficou tudo na mesma, como novos nomes: uma velha receita da esperteza indígena.

O equilíbrio financeiro, que inexplicavelmente a imprensa bempensante persiste em gabar, veio na essência da receita, ou seja, do bolso já vazio dos portugueses. O Orçamento para 2008 não deixa uma dúvida. A despesa é de 45,1 por cento do PIB (quando devia descer para 44 por cento). A despesa corrente primária volta a subir para 4 por cento. Do número de funcionários que saíram desde 2006 não vale a pena falar, nem dos que se prevê que saiam em 2008. Como não vale a pena dizer que o IVA, o IRS e o IRC não irão baixar: irão aumentar. O orçamento mostra claramente o fracasso de Sócrates. Não resolveu nenhum problema, conseguiu por um tempo suprimir o efeito de alguns problemas. Chegou a altura de lhe pedir contas.

Por VASCO PULIDO VALENTE

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O Fundo do Poço

Novembro 23, 2007 · Deixe um Comentário

OPINIÃO  

Mário Negreiros

O Fundo do Poço


Com uma frequência assustadora e cada vez maior, vejo-me a pedir que chegue logo, o quanto antes, o fundo do poço. É a crença redencionista, apocalíptica, cristianíssima, de que a maldade tem que se revelar em toda a sua grandeza para que depois, só depois, nos rendamos à luz, à paz e à harmonia. E, no entanto, sendo o poço um poço, a queda sem fundo é horrível, abismal, mas a outra alternativa – o encontro com o fundo – é trágica. E fatal.

Mas não é um poço. E não tem fundo – embora possa ser trágica – e fatal. É a realidade, que sempre pode piorar. Sempre! E melhorar.

Vivi muitos anos no Rio de Janeiro, cidade que, berço da gentileza da bossa-nova e de tantas outras gentilezas, foi-se tornando, dia-a-dia, palco de violências de uma crueldade insuperável até que, na semana seguinte, outra crueldade a superasse. Pelo menos uma meia dúzia de tragédias cariocas ao longo dos anos 90 foram capazes de me convencer de que a cidade tinha chegado ao fundo do poço e que, a partir dali, só podia encontrar o caminho da luz, da paz, e da harmonia. Uma leitura rápida nos jornais cariocas de hoje (ou de ontem ou de anteontem, ou da semana passada) é o bastante para que se perceba o quão redondamente me enganava. Não há fundo. Sempre pode piorar.

E Portugal está em queda. Os portugueses estão em queda – ainda mais do que Portugal. O país tem instituições minimamente organizadas, consolidadas, bastante mais estáveis do que a vida das pessoas que o habitam. Essas, sim, estão em queda livre: cada vez mais televisão e menos música; mais carro e menos passeio; mais pressa e menos gozo; mais trabalho e menos filhos (já são raros os filhos – um desavisado que visitasse os parques e jardins de Portugal poderia pensar que os portugueses tinham deixado de fazer filhos e passado a fazer logo netos); cada vez menos pais e mais televisão (e avós, para quem tem a sorte de os ter).

O que mais será preciso para que os portugueses vejam que é concreta a sua queda e, em grande parte, reversível com movimentos de carácter meramente individual, independentes de governos, estados ou partidos? Um exemplo: não me consta que as estradas e, muito menos os carros, tenham piorado neste país. Se não são os carros nem as estradas, quem, se não os próprios portugueses, pode merecer a culpa pelo aumento das mortes nas estradas de Portugal? Claro que ao Estado cabe educar quem usa e reprimir e punir quem abusa. Mas se o Estado é que tem a culpa pelo aumento das mortes nas estradas de Portugal será pela mesma razão por que é do Estado a culpa por tudo o que de mal aconteça neste país – a nossa infantil necessidade de desresponsabilização, que, claro, exige um culpado de plantão (papel a que o Estado português – arrogante, ineficaz, etc, etc e etc, sim – se presta lindamente).

E, no entanto, se vejo algum movimento de reversão da queda geral não é naquilo que se convencionou chamar de “cidadania” (algo como “povo” mas mais sóbrio – enquanto o povo vai ao futebol, a cidadania vai passear na “Marginal sem Carros” ). Se alguns sectores da vida portuguesa tiveram os brios acesos pela crítica geral, a maior parte estará no sector público, onde se começa a ver funcionários firmemente empenhados em mostrar, pela sua postura e empenho, que há ali eficiência e respeito pelo utente.

Enquanto isso, na Net Cabo…

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HÁ ALTURAS ASSIM

Novembro 23, 2007 · Deixe um Comentário

HÁ ALTURAS ASSIM


Há alturas assim, parece que se vive naqueles sonhos em que se quer correr e não se sai do sítio. Freud explica, qualquer manual dos sonhos explica, mas a gente continua a sonhar o mesmo. Tudo é pastoso, parece um barco que entra no lodo e não avança mais no meio de um grande e enorme rio. Toda a agitação é vã, sabe-se que algures há um perigo indefinido, uma escuridão que avança, um movimento profundo nas águas. Não é por acaso que esta é um das “sete tramas fundamentais” na literatura. Está no Beowulf, está na lenda de S. Jorge e o Dragão, está nos livros de Stephen King, está no Portugal de 2007. O barco está bem encalhado no meio do rio e não se consegue fugir para fora do perigo.

A gente olha para o Correio da Manhã, aquilo que os anglo-saxónicos chamam uma “fatia de realidade”, e vê bem o sonho do quero andar, mas não ando. “”Marta” (nome fictício), de 24 anos, confessou ontem às autoridades que deitou o seu filho num contentor do lixo“, atrás de muitas outras “martas” que desde tempos imemoriais mataram os seus filhos, ou os deixaram na roda, ou na estrada para serem encontrados com um fiozinho e uma medalha para, dizem os leitores de Dickens e os espectadores de telenovelas, um dia mais tarde se dar o improvável rencontro, ou se confirmar qualquer tragédia incestuosa. Destinos. “Marta” não leu a intelectual Prospect, que coloca o dilema ético-social sobre se há direito a ter filhos que não se podem alimentar, ou dito de outro modo, se é moralmente legítimo e socialmente aceitável os pobres terem filhos que depois vão viver dos impostos dos ricos que não os procriaram. Amanhã haverá outras “martas”. O barco decididamente não anda.

A “assassina do ácido voltou a ser posta em liberdade” escreve, perturbado, o jornal perante mais uma saga judiciária. Escrevendo em “juridiquês”, uma linguagem que hoje se tornou popular de tão usada que é, vê-se que a “assassina do ácido“, que estava detida em Tires para cumprir sete anos e nove meses de pena, “recebeu a ordem de libertação imediata, emanada pelos juízes desembargadores“, após recurso do advogado. Continua o jornal: “Nessa altura, o colectivo de juízes considerou que o acórdão condenatório tinha transitado em julgado e, por consequência, estava esgotado o prazo para um eventual recurso. Para chegar a esta deliberação, os juízes guiaram-se pelos prazos dos processos urgentes, mas (o advogado) contestou. Primeiro, entrou com um pedido de habeas corpus (libertação imediata) da sua cliente, que foi indeferido. Depois, alegou que a decisão dos juízes da primeira instância teria efeitos suspensivos sobre a eficácia dos mandados de captura (…) o que foi aceite pelos juízes desembargadores.” Corre Kafka, busca Kafka, bom cão Kafka!

A “assassina do ácido” anda nesta saga desde Maio de 2001, há mais de seis anos. O crime de amor, ciúme e raiva, que a levou a matar o namorado, crime do “coração” (o mesmo “coração” com que o povo se enleva no “pai de coração”) já não suscita sequer atenção de per si, a não ser no epíteto de “assassina do ácido“, são agora as peripécias jurídicas, o outro pântano, a outra areia que está debaixo do barco. Antes o mundo parecia simples: julgada, condenada, presa, libertada no fim da pena. Agora não, há advogados, juízes, polícias, desembargadores, um nome tão arcaico que se percebe bem encaixar na coisa. De que é que tens medo Kafka, não está nada aí, é só uma sombra…


Mantendo-nos nos crimes, temos mais um acto da saga mediática da “pequena Maddie“, opondo os defensores da tese do rapto aos defensores da tese do assassinato, hoje uma matéria patriótica. Cada revelação, num ou noutro sentido, faz parte da também pequena guerra civil que os portugueses travam contra John Bull, contra a pérfida Albion, que insiste em nos tratar como comedores de sardinhas, insulta o nosso embaixador, goza com os nossos polícias, e suspeita que, se algum louro britânico, algum cidadão civilizado dos países frios, cai nas malhas desses brutos (nós) é como no tempo da Inquisição. E nós, nessa altura, ficamos todos índios venezuelanos diante do Borbón que nos manda calar, nós explorados desde o Tratado de Methuen, vítimas dos vexames de Beresford, espoliados pelo Ultimato e que temos agora que aturar a sobranceria desses “bifes” que acham que podem vir cometer crimes ao nosso Algarve e voltaram para casa a dizer mal do senhor inspector de Portimão. Nós que até lhes ganhamos, de vez em quando, no futebol. Agarrem-me senão eu faço e aconteço, ouve-se no barco encalhado pelo medo.

Depois o Correio da Manhã explica-nos que há portas e portas. Umas servem para abrir, outras para snifar e ganhar muito, muito dinheiro. São “portas da percepção” diria Huxley, cheias de felicidade terrestre, contendo a módica quantia de 301 quilos (o quilo a mais dos trezentos seria para pagar o transporte?) de cocaína metida numas portas vindas do Brasil, cerca de três milhões e cem mil doses individuais com valor de cerca de 15 milhões de euros. No mesmo dia, mostrando a diferença entre o poderoso cartel latino-americano e a pobreza dos PALOP, um infeliz guineense identificado como Isolmané trazia três quilos numa mala de viagem vindo de Caracas e foi direitinho parar à prisão, porque só lhe devia faltar ter escrito na T-shirt ao que vinha e com que vinha. Nas casas de banho da noite chique de Lisboa, onde os famosos da Nova Gente riscam umas linhas de neve, não vai faltar produto, nem que seja a consumir a porta. Se no barco encalhado se tem medo e se quer fazer de conta que não se passa nada, há sempre maneira de o fazer, no nariz, na veia, na garganta.

O resto? Nem no Correio da Manhã sobra alguma coisa como resto: uma greve na Valorsul, uma empresa que dá “valor” ao lixo do Sul; uma mãe que quer que a filha ouça e arranjou o dinheiro para a operação e diz, sábia, que “as mães não devem ficar à espera do Estado“; uma senhora professora que nem três cancros diferentes chegavam para ser aposentada e que só conseguiu “ter justiça”; a ASAE, mostrando como se leva a sério a gestão política das polícias, deixou por um dia de funcionar como braço armado do fisco, para apreender numa humilde loja das Portas de Santo Antão umas aparelhagens de quinta categoria que servem para escutas, obtendo assim um bom título no jornal para o senhor ministro da Administração Interna. O barco está mesmo encalhado e afunda-se pouco a pouco. Haverá piranhas, crocodilos neste rio? Há sempre.

A culpa é do Correio da Manhã? Longe disso, aquilo é o Portugal de 2007, tal como ele é, irrelevâncias antigas, infelicidades de sempre, vidas miúdas, perdidas num mundo que cada vez menos se controla, de que cada vez menos se descola. Não é obra de cínicos intelectuais que só querem dizer mal e não partilham do glorioso optimismo dos governantes, é o retrato do pântano do nosso lento empobrecimento a que nos condena o “modelo social” vigente, da desorganização atávica das nossas instituições, do salve-se quem puder, de uma mediania muito perto da pobreza e do atraso. É o que o espelho da verdade nos mostra.

É como nos sonhos, bem se quer correr, mas é difícil correr no meio de gelatina, da pasta viscosa da nossa anomia, quando uma a uma se perdem as raríssimas oportunidades de fazer diferente. Até o Papa percebeu isso e fez o que fez aos bispos, só que nós, se o tivéssemos à civil, atirávamos pedras ao homem. Não se é feliz no país do Correio da Manhã, mas o país do Correio da Manhã é o nosso país.

Pacheco Pereira

(No Público de 18 de Novembro de 2007)

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CONSTRUIR UM PAÍS

Novembro 17, 2007 · 1 Comentário

PRECISA-SE DE MATÉRIA-PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

Por EDUARDO PRADO COELHO

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos… e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram o lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser “compradas”, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como “matéria-prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa “CHICO- ESPERTERTICE PORTUGUESA” congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte…

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados…igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda… Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro… Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?…. MEDITE!

In “Público”

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“dourar”

Novembro 15, 2007 · Deixe um Comentário

Questionado por José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino, sobre se teria pedido a António Costa para falar com José Miguel Júdice no sentido de “dourar” a sua imagem pública, Paulo Pedroso disse: “o presidente do grupo parlamentar do PS [António Costa] fez diligências junto de várias pessoas e entidades e há uma declaração de cada uma dessas pessoas sobre os conteúdos dessas conversas”.

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