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DERROCADA

Novembro 24, 2007 · Deixe um comentário


O mundo das obras de arte (e aqui falo principalmente das obras literárias), só o sinto verdadeiramente próximo de mim quando se abre ou predispõe à expressão tensa da realidade. Não como simples espelhamento (técnica típica do que usa o subterfúgio para entrar na contabilidade das grandes vendas apesar, ou por causa, da habitualidade da escrita que utiliza) mas como comunicação organizada e estilisticamente nova do que explode dentro e fora de quem escreve, de quem se esmaga nas palavras que tenta usar. Quando procura ser um alicerce, ainda que não reconhecido por quase ninguém, de um sentido que combate, testemunha o combate, faz do quase impossível a procura do seu breve bem.

Não sou dos que acreditam que se deva gritar Revolução quando se diz Sofrimento Social. O século XX mostrou-nos como, em crescendo desde os finais do século XVIII, a palavra «revolução» sempre trouxe com ela associada a palavra «terror». O Sofrimento Social precisa de ser enfrentado de outro modo, e creio que só as democracias o podem tentar resolver. Se uma democracia falha a resolução do Sofrimento Social, então ela falha a sua própria razão de ser. E os «monstros» começam a cercá-la, prontos a desfazerem-na, numa intervenção sumária que nos trará a bem conhecida experiência de outro tipo de extermínios.

Creio que em Portugal, se não fosse a União Europeia, haveriam de ter acontecido desses abalos tremendos que transformam milhares em enxurradas. Pois que tudo está descontente, como em 1910, em 1926, em 1974…

A arte não pode ser um movimento social meramente vulgar. Dentro dela, a literatura não pode contentar-se com o ponto de vista da ideologia. Tem de se tornar prova do real. De confronto com o desvirtuamento da humanidade do seu tempo. Para isso, não precisa de tornar-se política (partidária), bem pelo contrário, mas necessita de combater o que o político aniquila no quotidiano, e cada um só tem uma vida para viver. Acredito que todos os políticos actualmente em exercício em Portugal não queiram provocar, por vontade deliberada, o desabamento na aceitação da democracia. Mas penso muitas vezes, contra a minha própria razão, que se tornam cúmplices de um desastre assim.

O que está a trazer a democracia aos portugueses? Fome, agravo, muito pouca capacidade de sobreviver, uma saúde desastrosa, um peso fiscal aterrador que atinge os que precisam desse dinheiro levado para poderem atravessar o fim do mês.

20% dos portugueses concentra 80% da riqueza. Cada ano consegue enriquecer ainda mais. Nada tenho contra a existência de ricos produtivos numa sociedade, penso é que a riqueza não lhes deveria ir sempre parar às mãos e que teria de haver uma classe média muito forte que permitisse inúmeros focos de riqueza distribuída por todos (mas o nosso pequeno neocapitalismo não parece gostar de coisas assim). Como eles fazem, não sei; mas não acredito que o façam criminosamente; sabem apenas aproveitar o que a organização social deste tipo de governações lhes permite conseguir.

Os restantes 80% ou lutam para poder equilibrar as suas finanças (e tanto faz que tenham filhos como não tenham, embora os primeiros sofram sem dúvida bem pior situação, se se preocuparem com os seus filhos, o que nem sempre acontece com todos) ou tombam no dia-a-dia vivido como uma migalha de nada caída em sítio nenhum.

Mas há ainda um maior horror: que fará alguém com 360 euros mensais nos dias portugueses de hoje? Assiste, por certo, a cada um dos seus dias como a um lento suicídio. As políticas de sacrifício (pedidas já por dois governos sucessivos – houve um interregno que não conta – sem que se lhes perceba as diferenças práticas) estão a servir realmente para quê?

Atrás dos computadores tudo se desumaniza e transforma em números e nos é dito em estatísticas. Mas as pessoas? O que são e o que sentem as pessoas? Pouco percebo destes assuntos, mas começo a acreditar que não está nestas políticas solução alguma, o caminho terá de ser outro; a estratégia dos impostos, por exemplo, percebe-se que não é a saída. Há muitos economistas que dizem que sim. Mas não só a economia não é uma ciência (quando muito é uma prática calculante, nem sequer adivinhatória) como é sempre possível, por isso mesmo, encontrar um segundo grupo de economistas que defenda exactamente o contrário e um terceiro grupo ainda que divirja do que os outros grupos proclamam.

Não haverá demasiada tacanhez de economistas neste nosso processo e uma total falta de visão voluntariamente política e sem o suporte de actividades deletérias como todos os partidos até agora existentes praticaram, uma vez que todos eles já estiveram no poder?

A maioria dos meus amigos (quem não terá amigos assim ou não estará a falar de si próprio quando dos seus amigos fala?) está entre os 80% atrás referidos. Se uns vão conseguindo sobreviver gerindo com extrema severidade o seu orçamento, outros há muito que se têm servido de créditos bancários para conseguir «esticar» o ordenado. Vivem no limite do zero. Só podem, além de trabalhar – os mais afortunados -, pensar em como hão-de prover à educação dos filhos, aos seguros que têm de providenciar para protecção dos filhos em empregos arriscados, pagar os juros bancários e deixar para o fim a qualidade dos alimentos com que têm de manter a saúde, que, provavelmente, mais depressa se deteriorará, remédios que já se tem de pensar duas vezes antes de comprar, uma vez que o próprio vestuário teve de deixar de existir como necessidade de primeira. Vejo nas suas caras o mesmo abandono, a mesma apatia, o total desencanto que já reconheço naqueles com quem ando nos autocarros e que não sei quem são.

Os meus amigos: professores, enfermeiros, mesmo médicos, bem como rapazes e raparigas e homens e mulheres de meia-idade que vivem a recibos verdes, em que se incluem artistas ou escritores que não conseguiram ou não quiseram transformar-se em mercado de boa publicidade. Todos estão unidos pela mesma frustração. Vejo o desânimo invadir-lhes a vida que já foi feliz.

Ao referir-me a estes exemplos, estou a pensar insistentemente em palavras de uma mulher que admiro, Isabel Jonet, da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome. E é tanto mais de confiar na minha admiração quanto eu não sou crente de nenhuma religião e ela é profundamente católica (religião que exclui o modo da minha própria vida).

Os que tiverem computador podem encontrar um exemplo do seu pensamento escrevendo o seu nome no Google (por exemplo) e abrindo a primeira entrada que surge aí neste momento, «Solidariedade»: uma entrevista extraordinária. Foi ela quem alertou para o alastramento da pobreza e do sofrimento social daí decorrente ao referir, numa entrevista à TSF amplamente divulgada na Web, «uma nova classe de novos pobres em Portugal, pessoas que, embora auferindo de um salário, não têm no final do mês todos os rendimentos de que necessitam para fazer face às necessidades do seu agregado familiar». Eu acrescentaria, a agregado familiar, pessoas sozinhas a quem o mesmo acontece. Ou pessoas a viverem conjuntamente sem que as deixem constituir-se como agregado familiar.

Fala ainda desse outro pesadelo que parece nada estar a resolver, a não ser consentir que o Estado e os enriquecidos possam lavar as mãos das consequências que tudo isso trará, mais do que no presente, no futuro dessas pessoas: «Jovens a trabalharem a recibos verdes, sem possibilidades de pagar a Segurança Social, que se vêem a braços com situações dramáticas e que muitas vezes têm de pedir apoio a estruturas sociais para poderem sobreviver.» (Peço desculpa a Isabel Jonet pela extensão das citações, mas foi a principal instigadora do meu artigo de hoje.)

Precariedade em quase tudo, vidas alarmadas, o desemprego, pobreza, recursos aflitivos a bancos (que podem nem ser conseguidos), vidas amodorradas à dificuldade de só passarem amargamente de um dia para outro dia, mesmo trabalhando até aos limites das suas possibilidades. Para já não falar dos que nem sequer nada disto têm. Destroem a classe média, precisamente aquela de onde, quando não sujeita às extremas pressões da insuficiência, quase sempre vi irromper as aberturas civilizacionais mais consistentes. Esta, não tendo para onde se voltar (já experimentou todos os partidos desta democracia), aceitará um dia politicamente o quê? Se é o espaço fundamental das conquistas democráticas, rapidamente também se torna o espaço da derrocada das próprias democracias. O nosso sistema político não estará já perigosamente em causa?

Segundo dados da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (Setembro de 2007), surgimos em último ou em penúltimo lugar em: taxa de risco de pobreza, situação de desemprego, risco de pobreza de pessoas empregadas, abandono escolar, desigualdade na distribuição do rendimento. Entre nós, onde a taxa de pobreza objectiva é de 20% (uma imensa fatia populacional que já é pobre por completo), 47% consideram-se pobres e 39% afirmam ter dificuldades financeiras. Segundo o Senhor Presidente da República, em 18/10/2007, «sozinho, o Estado não consegue melhorar a situação». Conseguirá melhorá-la mesmo com ajudas? Porque o Senhor Presidente da República confessou: «Envergonho-me um pouco desta posição.» Fica-lhe muito bem essa vergonha. Mas é estranho o facto de só se envergonhar «um pouco». A vergonha total, quem terá de a sofrer?
Por JOAQUIM MANUEL MAGALHÃESIn “Expresso”

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Abrem-se novos desafios políticos

Novembro 23, 2007 · 1 Comentário

Algumas dezenas de jovens seguiam numa carruagem do metro de Madrid para uma manifestação antifascista no passado dia 11 de Novembro. Na carruagem seguia também um militar profissional e membro do batalhão honorário da guarda do rei. Sem uma palavra, com o atestam as imagens gravadas, sacou do sabre e, com um só golpe matou um jovem operário antifascista, Carlos, de 16 anos; a um outro jovem seu amigo, Alejandro, o militar furou-lhe um pulmão com o sabre. À saída do metro a polícia de intervenção madrilena carregou sobre os restantes jovens, que já tinham imobilizado o assassino, o que permitiu a sua identificação e prisão. Juan Carlos porque te callas?

Angeles Maestro*

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HÁ ALTURAS ASSIM

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

HÁ ALTURAS ASSIM


Há alturas assim, parece que se vive naqueles sonhos em que se quer correr e não se sai do sítio. Freud explica, qualquer manual dos sonhos explica, mas a gente continua a sonhar o mesmo. Tudo é pastoso, parece um barco que entra no lodo e não avança mais no meio de um grande e enorme rio. Toda a agitação é vã, sabe-se que algures há um perigo indefinido, uma escuridão que avança, um movimento profundo nas águas. Não é por acaso que esta é um das “sete tramas fundamentais” na literatura. Está no Beowulf, está na lenda de S. Jorge e o Dragão, está nos livros de Stephen King, está no Portugal de 2007. O barco está bem encalhado no meio do rio e não se consegue fugir para fora do perigo.

A gente olha para o Correio da Manhã, aquilo que os anglo-saxónicos chamam uma “fatia de realidade”, e vê bem o sonho do quero andar, mas não ando. “”Marta” (nome fictício), de 24 anos, confessou ontem às autoridades que deitou o seu filho num contentor do lixo“, atrás de muitas outras “martas” que desde tempos imemoriais mataram os seus filhos, ou os deixaram na roda, ou na estrada para serem encontrados com um fiozinho e uma medalha para, dizem os leitores de Dickens e os espectadores de telenovelas, um dia mais tarde se dar o improvável rencontro, ou se confirmar qualquer tragédia incestuosa. Destinos. “Marta” não leu a intelectual Prospect, que coloca o dilema ético-social sobre se há direito a ter filhos que não se podem alimentar, ou dito de outro modo, se é moralmente legítimo e socialmente aceitável os pobres terem filhos que depois vão viver dos impostos dos ricos que não os procriaram. Amanhã haverá outras “martas”. O barco decididamente não anda.

A “assassina do ácido voltou a ser posta em liberdade” escreve, perturbado, o jornal perante mais uma saga judiciária. Escrevendo em “juridiquês”, uma linguagem que hoje se tornou popular de tão usada que é, vê-se que a “assassina do ácido“, que estava detida em Tires para cumprir sete anos e nove meses de pena, “recebeu a ordem de libertação imediata, emanada pelos juízes desembargadores“, após recurso do advogado. Continua o jornal: “Nessa altura, o colectivo de juízes considerou que o acórdão condenatório tinha transitado em julgado e, por consequência, estava esgotado o prazo para um eventual recurso. Para chegar a esta deliberação, os juízes guiaram-se pelos prazos dos processos urgentes, mas (o advogado) contestou. Primeiro, entrou com um pedido de habeas corpus (libertação imediata) da sua cliente, que foi indeferido. Depois, alegou que a decisão dos juízes da primeira instância teria efeitos suspensivos sobre a eficácia dos mandados de captura (…) o que foi aceite pelos juízes desembargadores.” Corre Kafka, busca Kafka, bom cão Kafka!

A “assassina do ácido” anda nesta saga desde Maio de 2001, há mais de seis anos. O crime de amor, ciúme e raiva, que a levou a matar o namorado, crime do “coração” (o mesmo “coração” com que o povo se enleva no “pai de coração”) já não suscita sequer atenção de per si, a não ser no epíteto de “assassina do ácido“, são agora as peripécias jurídicas, o outro pântano, a outra areia que está debaixo do barco. Antes o mundo parecia simples: julgada, condenada, presa, libertada no fim da pena. Agora não, há advogados, juízes, polícias, desembargadores, um nome tão arcaico que se percebe bem encaixar na coisa. De que é que tens medo Kafka, não está nada aí, é só uma sombra…


Mantendo-nos nos crimes, temos mais um acto da saga mediática da “pequena Maddie“, opondo os defensores da tese do rapto aos defensores da tese do assassinato, hoje uma matéria patriótica. Cada revelação, num ou noutro sentido, faz parte da também pequena guerra civil que os portugueses travam contra John Bull, contra a pérfida Albion, que insiste em nos tratar como comedores de sardinhas, insulta o nosso embaixador, goza com os nossos polícias, e suspeita que, se algum louro britânico, algum cidadão civilizado dos países frios, cai nas malhas desses brutos (nós) é como no tempo da Inquisição. E nós, nessa altura, ficamos todos índios venezuelanos diante do Borbón que nos manda calar, nós explorados desde o Tratado de Methuen, vítimas dos vexames de Beresford, espoliados pelo Ultimato e que temos agora que aturar a sobranceria desses “bifes” que acham que podem vir cometer crimes ao nosso Algarve e voltaram para casa a dizer mal do senhor inspector de Portimão. Nós que até lhes ganhamos, de vez em quando, no futebol. Agarrem-me senão eu faço e aconteço, ouve-se no barco encalhado pelo medo.

Depois o Correio da Manhã explica-nos que há portas e portas. Umas servem para abrir, outras para snifar e ganhar muito, muito dinheiro. São “portas da percepção” diria Huxley, cheias de felicidade terrestre, contendo a módica quantia de 301 quilos (o quilo a mais dos trezentos seria para pagar o transporte?) de cocaína metida numas portas vindas do Brasil, cerca de três milhões e cem mil doses individuais com valor de cerca de 15 milhões de euros. No mesmo dia, mostrando a diferença entre o poderoso cartel latino-americano e a pobreza dos PALOP, um infeliz guineense identificado como Isolmané trazia três quilos numa mala de viagem vindo de Caracas e foi direitinho parar à prisão, porque só lhe devia faltar ter escrito na T-shirt ao que vinha e com que vinha. Nas casas de banho da noite chique de Lisboa, onde os famosos da Nova Gente riscam umas linhas de neve, não vai faltar produto, nem que seja a consumir a porta. Se no barco encalhado se tem medo e se quer fazer de conta que não se passa nada, há sempre maneira de o fazer, no nariz, na veia, na garganta.

O resto? Nem no Correio da Manhã sobra alguma coisa como resto: uma greve na Valorsul, uma empresa que dá “valor” ao lixo do Sul; uma mãe que quer que a filha ouça e arranjou o dinheiro para a operação e diz, sábia, que “as mães não devem ficar à espera do Estado“; uma senhora professora que nem três cancros diferentes chegavam para ser aposentada e que só conseguiu “ter justiça”; a ASAE, mostrando como se leva a sério a gestão política das polícias, deixou por um dia de funcionar como braço armado do fisco, para apreender numa humilde loja das Portas de Santo Antão umas aparelhagens de quinta categoria que servem para escutas, obtendo assim um bom título no jornal para o senhor ministro da Administração Interna. O barco está mesmo encalhado e afunda-se pouco a pouco. Haverá piranhas, crocodilos neste rio? Há sempre.

A culpa é do Correio da Manhã? Longe disso, aquilo é o Portugal de 2007, tal como ele é, irrelevâncias antigas, infelicidades de sempre, vidas miúdas, perdidas num mundo que cada vez menos se controla, de que cada vez menos se descola. Não é obra de cínicos intelectuais que só querem dizer mal e não partilham do glorioso optimismo dos governantes, é o retrato do pântano do nosso lento empobrecimento a que nos condena o “modelo social” vigente, da desorganização atávica das nossas instituições, do salve-se quem puder, de uma mediania muito perto da pobreza e do atraso. É o que o espelho da verdade nos mostra.

É como nos sonhos, bem se quer correr, mas é difícil correr no meio de gelatina, da pasta viscosa da nossa anomia, quando uma a uma se perdem as raríssimas oportunidades de fazer diferente. Até o Papa percebeu isso e fez o que fez aos bispos, só que nós, se o tivéssemos à civil, atirávamos pedras ao homem. Não se é feliz no país do Correio da Manhã, mas o país do Correio da Manhã é o nosso país.

Pacheco Pereira

(No Público de 18 de Novembro de 2007)

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Adriano Correia de Oliveira

Novembro 2, 2007 · 1 Comentário

Évora

Há dias em que mais vale…

Há dias
Em que não cabes na pele
Com que andas
Parece comprada em segunda mão
Um pouco curta nas mangas

Há dias
Em que cada passo é mais um
Castigo de Deus

Parece
Que os sapatos que vês
Enfiados nos pés
Nem sequer são os teus

À noite voltas a casa
Ao porto seguro
E p´ra sarar mais esta corrida
Vais lamber a ferida
Para o canto mais escuro

Já vi
Há dias em que tu
não cabes
em ti

 Avança
Na cara desse torpor
Que te perde e te seduz
A espada como a um Matador
Com o gesto maior
Do seu peito Andaluz

Avança
Com a raiva que sentes
Quando rangem os dentes
Ao peso da cruz

Enfim,
Há dias em que eu
Também estou assim

Parece que pagamos os
Pecados deste mundo
Amarrados aos remos de um
Barco que está no fundo.

Ser Alentejano é um estado de Alma…

Alentejo & Sapientia

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Pobreza

Outubro 17, 2007 · Deixe um comentário

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Indicadores sobre a pobreza: Portugal e União Europeia

Outubro 17, 2007 · Deixe um comentário

Os dados estatísticos existentes sobre a pobreza e a exclusão social não revelam, por si só, todas as dimensões destes flagelos, mas aproximam-nos da realidade e permitem-nos ir avaliando o caminho que estamos a percorrer.

2007_Indicadores Pobreza.pdf

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Grupo de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento

Outubro 9, 2007 · 1 Comentário

Grupo de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento

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A Torre de Babel dos Bens Comuns

Outubro 3, 2007 · Deixe um comentário

A Torre de Babel dos Bens Comuns reúne fotografias realizadas ao longo de 25 anos de trabalho fotográfico sobre natureza que deram origem a várias exposições: Ribeira Minho(1986) Portugal Natural – Vida Selvagem em Imagem, (1993,1996) Planeta Água (2005/2007).Desmontadas as exposições, as fotografias dispersaram-se por todo o país para servirem de suporte às mais variadas acções de educação ambiental.Paulo Magalhães 

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Saramago Escritor apela à insubmissão

Outubro 2, 2007 · 1 Comentário

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Saramago falava na conferência “Lições e Mestres”, em Santilhana del Mar, no Norte de Espanha

A esquerda “deixou de ser esquerda” e tornou-se “estúpida”, afirmou Prémio Nobel da Literatura José Saramago, que acusou também os governos de estarem a tornar-se “em comissários do poder económico”.

“Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder”, afirmou hoje o escritor a respeito de executivos como o português e o italiano, citado pela agência EFE no último dia da conferência “Lições e Mestres”, em Santilhana del Mar, no norte de Espanha.

“Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda”, afirmou o octogenário escritor e militante histórico do Partido Comunista Português.

Saramago foi um dos pensadores cuja obra foi focada na conferência, juntamente com as de Carlos Fuentes e Juan Goytisolo.

Fugindo ao tema literário, Saramago acabou por dedicar grande parte da sua intervenção aos problemas das democracias contemporâneas, que na sua opinião “não passam de plutocracias”, e apelou à insubmissão da população, segundo relata a agência espanhola.

“O mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio”, acusou.

“É altura de protestar”

Para Saramago, “é altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos”.

“Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo”, afirmou José Saramago.

A obra do escritor português foi apresentada por Laura Restrepo, numa sessão que contou ainda com a presença da brasileira Nélida Pinhon e dos escritores Juan Goytisolo e Carlos Fuentes.

Saramago revelou que está a escrever um novo livro, sem adiantar pormenores.

O escritor português defendeu que não existem géneros, mas sim “espaços literários”, que admitem de tudo ― ensaio, filosofia, ciência ou poesia ―, e expressou a sua admiração pelo checo Franz Kafka, “a grande figura literária do século XX”.

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