O Deus que eu me foi dado a conhecer da cultura popular portuguesa é Jeová (que se não me engano é o nome do deus monoteísta, quer dos cristãos, dos judeus ou dos muçulmanos).
Ora dizer-se que existe Jeová, (ou Deus) é negar todas as outras religiões e as suas crendices, o seu sagrado. O contrário, ou seja, ao afirmar-se que existem as divindades orientais, nega-se Deus (ou Jeová) na sua essência.
Então pela afirmação de uma das crenças não se chega a lado nenhum.
Ora. Uma das dificuldades em discutir religião é o seu casulo quanto à racionalidade. A racionalidade tem um espaço muito limitado de actuação na discussão de assuntos religiosos. O que nos leva à matemática.
Ora, o que tem a matemática a ver com isto?! É simples, a matemática tem o conjunto dos números imaginários, para contrapor aos números reais, servindo para calcular raízes negativas.
O que quero dizer com isto? Se calhar estamos a discutir a religião no plano errado…
Temos que sair do plano do lógico e passar para o ilógico. E fazer isto é dar razão aos gnósticos, que afirmam que a religião não se compreende pela sua lógica, mas antes pela sua ilógica. A lógica do gnósticismo é simples: mortal/imortal, lógico/ilógico, etc. Tal como na matemática: nºs reais e nºs imaginários. Ora, a existência de lógica no raciocínio do próprio gnósticismo mata-o na sua base
…
Então, ou não faz qualquer sentido a religião, ou então nós não existimos.
Quero eu dizer que, o que faz sentido para mim é dizer-se que o espiritual tem importância para o homem. Mas deuses não! Deuses ou homens, ou animais, são apenas o recurso, o meio, ou a ferramenta, para atingir um fim: a espiritualidade. A espiritualidade no sentido de força anímica. Que nos impele à acção.
Ora, esta espiritualidade pode ser atingida através do culto da personalidade (seja ela Estaline, Jesus, ou Dawkins). Por isso o ateísmo está aí para ficar. Pois a não existência de deus, ou entidade divina, não implica a não existência de espiritualidade, excepto se o divino é o único meio exclusivo para o exercício da espiritualidade.
Ricardo Silva