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Entradas marcadas como ‘Deus’

Nós os vencidos do catolicismo

Junho 26, 2008 · Deixe um comentário

Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana

Nós que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos

Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana

Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»

Autor: Ruy Belo

«A solidão dos filhos de Deus»

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“A Desilusão de Deus” de Richard Dawkins

Novembro 7, 2007 · 1 Comentário

Capa do livro “A Desilusão de Deus” de Richard Dawkins (editora Casa das Letras) não é apenas uma brilhante obra de divulgação científica, a obra de Dawkins é também uma oportuna obra política. Numa época, em que o fundamentalismo religioso voltou a ganhar terreno, em particular através da progressão do islamismo no Médio Oriente e da ascensão ao poder nos EUA de uma das variantes mais fanáticas de protestantismo evangélico, Dawkins interpela-nos com toda a oportunidade sobre os perigos deste manifesto retrocesso civilizacional.
Artigo de Rui Curado Silva, investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra
.

Dawkins actualiza a reflexão científica sobre a existência de Deus ao longo de dois capítulos sucessivos onde analisa a hipótese e os argumentos para a existência de Deus. A tendência dos humanos para acreditar em entidades transcendentes ou espirituais é desenvolvida do ponto de vista da evolução da nossa espécie num capítulo dedicado às raízes da religião. Dawkins desmonta a ideia que a moral só pode existir associada à religião. Através de múltiplos exemplos, Dawkins recorda-nos que há mais de dois mil anos que as maiores atrocidades da nossa história têm sido perpetradas em nome de uma miríade de deuses. Dawkins analisa o papel dos regimes laicos na pacificação da sociedade, sem deixar de caracterizar devidamente o estalinismo e o nazismo. Recorda-se o papel da formação seminarista de Estaline e a espiritualidade maniqueísta de Hitler, bem como a sua cumplicidade com o Vaticano. A intolerância religiosa é analisada por Dawkins, referindo-se este em particular à hostilidade das religiões do livro à homossexualidade, ao modo de vida das sociedades mais abertas, à religiões minoritárias e às religiões minoritárias.

Dawkins oferece-nos ainda uma reflexão brilhante dedicada às dificuldades do cidadão comum em compreender os problemas cuja escala o ultrapassa do ponto de vista espacial e temporal. O muito grande ou muito pequeno, o Universo ou um quark não são conceitos intuitivos tendo em conta as nossas dimensões naturais e o alcance do nosso campo de visão. Um tempo de vida média de um positrão inferior ao nanossegundo ou os milhares de milhões anos da vida de uma estrela dificilmente são assimilados pela maioria dos cidadãos. A incompreensão da base científica associada a fenómenos cuja escala nos transcende é uma recorrente fonte de espiritualismo e de sentimentos religiosos.

Outras passagens interessantes desta obra são o desmontar do Desenho Inteligente, a análise ao niilismo militante contra o darwinismo e a ciência moderna, bem como a descrição de variadíssimas passagens insólitas da Bíblia onde se relatam genocídios, homicídios e abuso de mulheres e crianças em nome de Deus. Dawkins relata com humor os evangelhos de conteúdo mais embaraçoso, aqueles que foram estrategicamente deixados fora da Bíblia pelos últimos compiladores das escrituras, em que se descreve Jesus Cristo em criança a abusar dos seus poderes divinos como se fosse um mágico, ora transformando os seus colegas em cabras ora ajudando o seu pai nos trabalhos de carpintaria aumentando miraculosamente as dimensões das peças de madeira.

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A Desilusão de Deus

Novembro 7, 2007 · Deixe um comentário

Esta é uma discussão ingrata, mas também uma das que dá mais prazer. Porque se eu perguntar como se define deus, dizem-me que DEUS não se define :)

O Deus que eu me foi dado a conhecer da cultura popular portuguesa é Jeová (que se não me engano é o nome do deus monoteísta, quer dos cristãos, dos judeus ou dos muçulmanos).

Ora dizer-se que existe Jeová, (ou Deus) é negar todas as outras religiões e as suas crendices, o seu sagrado. O contrário, ou seja, ao afirmar-se que existem as divindades orientais, nega-se Deus (ou Jeová) na sua essência.

Então pela afirmação de uma das crenças não se chega a lado nenhum.

Ora. Uma das dificuldades em discutir religião é o seu casulo quanto à racionalidade. A racionalidade tem um espaço muito limitado de actuação na discussão de assuntos religiosos. O que nos leva à matemática. :)

Ora, o que tem a matemática a ver com isto?! É simples, a matemática tem o conjunto dos números imaginários, para contrapor aos números reais, servindo para calcular raízes negativas.

O que quero dizer com isto? Se calhar estamos a discutir a religião no plano errado… :) Temos que sair do plano do lógico e passar para o ilógico. E fazer isto é dar razão aos gnósticos, que afirmam que a religião não se compreende pela sua lógica, mas antes pela sua ilógica. A lógica do gnósticismo é simples: mortal/imortal, lógico/ilógico, etc. Tal como na matemática: nºs reais e nºs imaginários. Ora, a existência de lógica no raciocínio do próprio gnósticismo mata-o na sua base :)

Então, ou não faz qualquer sentido a religião, ou então nós não existimos.

Quero eu dizer que, o que faz sentido para mim é dizer-se que o espiritual tem importância para o homem. Mas deuses não! Deuses ou homens, ou animais, são apenas o recurso, o meio, ou a ferramenta, para atingir um fim: a espiritualidade. A espiritualidade no sentido de força anímica. Que nos impele à acção.

Ora, esta espiritualidade pode ser atingida através do culto da personalidade (seja ela Estaline, Jesus, ou Dawkins). Por isso o ateísmo está aí para ficar. Pois a não existência de deus, ou entidade divina, não implica a não existência de espiritualidade, excepto se o divino é o único meio exclusivo para o exercício da espiritualidade.

Ricardo Silva

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