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Portugal

Setembro 24, 2007

É um país de homens e mulheres que, na esfera das relações privadas ou pessoais, é provavelmente um dos melhores países do mundo – pessoas agradáveis, simples, imensamente livres, divertidas, profundamente humanas, pacíficas, tolerantes, genuínas, hospitaleiras, despretensiosas, flexíveis, acomodatícias, solidárias. Mas é também um país em que, quando as pessoas possuem ou adquirem algum grau de poder político, ou ambicionam possuí-lo – isto é, na esfera das suas relações públicas ou institucionais – o poder as transforma facilmente em homens e mulheres radicalmente opostos: pretensiosos, emproados, sisudos, frequentemente desumanos,formais e burocráticos, intolerantes, ocasionalmente violentos, cínicos, inflexíveis, oportunistas, abusadores, opressores – senão mesmo, literalmente, uns patifes.

 

É assim que eu vejo Portugal e os portugueses. Dê-se-lhes poder público ou político, ou permita-se-lhes sequer que eles o ambicionem, e está tudo estragado.

 

Não supreende por isso que, aos meus olhos, entre o Canadá e Portugal as principais diferenças – para além daquelas que não estão dentro da esfera do controlo humano, como o clima, largamente favorável a Portugal – são, primeiro, a excelência do espaço público no Canadá face a Portugal e, segundo (a ordem é arbitrária), a excelência do espaço privado em Portugal face ao Canadá.

 

Se fosse possível – mas não é – contruír um país onde, por um lado, a esfera das relações privadas ou pessoais – como a família, círculos de amigos, igrejas, grupos recreativos, empresas até, bem como as relações e actividades que dependem de um bom clima, da comida e da bebida, e de uma história – fossem portuguesas e, por outro lado, a esfera das relações públicas ou institucionais – em primeiro lugar, o Estado e as suas instituições, como a justiça, a administração fiscal, a saúde, a segurança social, a educação, etc., mas também a governação, a administração pública e a sua relação com os cidadãos e ainda o espaço público de discussão e do debate entre os cidadãos – fossem canadianas, então, eu julgo que esse país seria o paraíso. (Portugal contemporâneo)

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