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Doçura e bondade

Outubro 1, 2007

Há entre vós, meus filhos, índoles violentas, que não sabem dominar-se, e que se deixam arrastar pelas primeiras impressões. É um grande defeito, e urge emendá-lo: conduz a desavenças e à prática de acções cujo arrependimento chega tarde. Citar-vos-ei dois casos, de que fui testemunha.

Um rapaz, sacudido violentamente na rua por um homem que vinha diante dele, volta-se e dá-lhe uma bofetada.
— Oh! Senhor! — exclamou o outro — Mal sabe o remorso que vai ter! Bateu num cego!

**

Um homem ainda novo montado num burro, atravessava uma aldeia, e uns camponeses grosseiros começaram a apupá-lo e a bater no burro, para o fazer correr.
O homem apeou-se, foi direito a eles, e mostrando-lhes a sua perna aleijada, disse-lhes:
— Se soubésseis que eu era coxo, não teríeis sido tão covardes.
Os camponeses, envergonhados, coraram, afastando-se sem pronunciar uma palavra.
O que vos parece estas duas lições? Estou convencido de que aproveitaram a quem as recebeu.

Guerra Junqueiro
Contos para a Infância
Porto, Editora Justiça e Paz, 1987

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