Skip to content

Saramago Escritor apela à insubmissão

Outubro 2, 2007

204619_Saramago.jpg

Saramago falava na conferência “Lições e Mestres”, em Santilhana del Mar, no Norte de Espanha

A esquerda “deixou de ser esquerda” e tornou-se “estúpida”, afirmou Prémio Nobel da Literatura José Saramago, que acusou também os governos de estarem a tornar-se “em comissários do poder económico”.

“Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder”, afirmou hoje o escritor a respeito de executivos como o português e o italiano, citado pela agência EFE no último dia da conferência “Lições e Mestres”, em Santilhana del Mar, no norte de Espanha.

“Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda”, afirmou o octogenário escritor e militante histórico do Partido Comunista Português.

Saramago foi um dos pensadores cuja obra foi focada na conferência, juntamente com as de Carlos Fuentes e Juan Goytisolo.

Fugindo ao tema literário, Saramago acabou por dedicar grande parte da sua intervenção aos problemas das democracias contemporâneas, que na sua opinião “não passam de plutocracias”, e apelou à insubmissão da população, segundo relata a agência espanhola.

“O mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio”, acusou.

“É altura de protestar”

Para Saramago, “é altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos”.

“Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo”, afirmou José Saramago.

A obra do escritor português foi apresentada por Laura Restrepo, numa sessão que contou ainda com a presença da brasileira Nélida Pinhon e dos escritores Juan Goytisolo e Carlos Fuentes.

Saramago revelou que está a escrever um novo livro, sem adiantar pormenores.

O escritor português defendeu que não existem géneros, mas sim “espaços literários”, que admitem de tudo ― ensaio, filosofia, ciência ou poesia ―, e expressou a sua admiração pelo checo Franz Kafka, “a grande figura literária do século XX”.

One Comment leave one →
  1. agrywhite permalink
    Outubro 25, 2007 12:41 am

    É sobejamente conhecida a capacidade que a direita tem para recuperar o que a critica. A direita para sobreviver lança mão de mecanismos obscuros e enganadores para disfarçar a sua vocação histórica A direita é, por definição, a aliada natural dos poderosos, dos opressores e dos manipuladores da opinião pública. A direita é conservadora, é retrógada. A direita é como os insectos: sai mais forte quanto mais fortes são as doses de DDT que lhes aplicam.Quem domina, há séculos, o mundo? É a esquerda? A direita em nome de uma certa liberdade, de uma espécie de liberdade formal que permite institucionalizar a exploração dos homens por outros homens, por vezes utiliza os seus jornais e os seus jornalistas para emboscar os leitores com ideias e palavras capturadas à esquerda
    Ontem li num jornal do Maputo uma frase de Saramago retirada do seu contexto. Nada mais desonesto.

    Numa intervenção pautada pelo apelo à insubmissão da população e pelo questionar de pseudo- partidos de esquerda, eis que alguém decide reinventar o discurso de Saramago, fragmentá-lo e reduzi-lo apenas a uma frase. Brilhante .

    Leia, por favor, parte da referida intervenção:

    Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder”, afirmou Saramago a respeito de executivos como o português e o italiano, citado pela agência EFE no último dia da conferência “Lições e Mestres”, em Santilhana del Mar, no norte de Espanha.”Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda”, afirmou o octogenário escritor e militante histórico do Partido Comunista Português.Fugindo ao tema literário, Saramago acabou por dedicar grande parte da sua intervenção aos problemas das democracias contemporâneas, que na sua opinião “não passam de plutocracias”, e apelou à insubmissão da população, segundo relata a agência espanhola.”O mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio”, acusou.Para Saramago, “é altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos”.”Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo”, afirmou José Saramago. Confira aqui (https://worldroom.wordpress.com/2007/10/02/saramago-escritor-apela-a-insubmissao/)
    Agry

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: