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A tomada da pastilha

Outubro 14, 2007

Só existe uma coisa mais divertida do que a vitória de Menezes no PSD. São as reacções à vitória de Menezes. O homem quer a regionalização de volta? O homem aceita a Ota e o tratado constitucional sem referendo? Maus presságios. Mas o que interessa é ouvir o ruído que a vitória proporcionou. Segundo tese geral, as ‘elites’ foram derrotadas quando o povo tomou conta da Bastilha. É uma boa tese, concedo, mas difícil de sustentar. Primeiro, seria preciso mostrar que as ‘elites’ existiam com Mendes. Ou, pior ainda, que Mendes era parte das ‘elites’. E, depois, que Menezes representa o povo em armas, disposto a destruir os portões do privilégio.

Infelizmente, a realidade não está à altura da ficção. Para começar, as ‘elites’ não estavam com Mendes porque, em rigor, o partido não tem ‘elites’ no verdadeiro sentido da palavra: um escol de exemplo e liderança. Tem, quando muito, uma mão-cheia de ‘notáveis’ para os quais Mendes era para ‘queimar’ em 2009; e, depois de 2009, talvez um deles avançasse. O vício é antigo no PSD e resume-se na cobardia de uma frase: nunca jogues para perder. E eles, honra lhes seja feita, não jogam. Só assim se percebe que o talento de Marques Mendes para não descolar nas sondagens não tenha despertado um esgar de preocupação. Se isto são ‘elites’, a Cova da Moura é Montecarlo.

E aqui entra Menezes, sobre quem repousa o preconceito habitual: o homem, que foi um bom autarca e que tem formação intelectual superior a Mendes, é o povo bruto. Curiosamente, não parece passar pela cabeça dos ‘notáveis’ que este povo bruto é, na verdade, o povo do partido deles. E que Menezes, nas virtudes e nos vícios, não se distingue do cenário político nacional. Acreditar que o PSD viveu o seu ano de 1789 é acreditar que, no partido e no país, existe uma Versalhes tomada de assalto pelo ‘país real’. Erro crasso. Em Portugal, só existe o ‘país real’. E a única Versalhes que eu conheço serve uns bifes em Lisboa que se comem sem esforço.

Anjos caídos

O país já falou sobre a espantosa ressurreição de Santana Lopes na SIC-Notícias. E, pelos vistos, falou bem: não se interrompe um ex-primeiro-ministro por causa de um treinador de futebol, certo? Talvez, se considerarmos o problema em teoria. Mas, como diriam os brasileiros, na prática a teoria é outra. Sobretudo quando do outro lado está a jornalista Ana Lourenço. Se Santana tivesse abandonado, sei lá, um Mário Crespo, uma pessoa até perdoava. Digo isto com todo o respeito pelo Mário Crespo. Mas com a Ana Lourenço, não há perdão: abandoná-la em directo é abandonar a encarnação mais próxima que temos de um anjo. Aliás, ainda ninguém me convenceu de que a Ana não é um anjo, deixado cair pelo faro político do diabólico dr. Santana.

É perante esta heresia que deixo aqui o meu recado: para a próxima, quando o assunto meter política, convida-me a mim, doce Ana. E, já agora, interrompe as vezes que quiseres. Eu, por ti, fico sempre.

João Pereira Coutinho

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