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RSS: três letras que incendiaram a edição online

Outubro 14, 2007

No início de Agosto passado o blogue Freakonomics.com — lançado há dois anos para servir de apoio ao livro, que entretanto vendeu três milhões de cópias – passou em exclusivo para a plataforma editorial do jornal New York Times, num acordo cujas verbas não foram reveladas. Um dos pontos, no entanto, tornou-se controverso e terá levado um número indeterminado de antigos leitores a desistir de acompanhar os autores Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt: o blogue deixou de poder ser lido na íntegra por meio do RSS, um formato com cada vez mais adeptos dada a sua eficácia agregadora (ver caixa explicativa). 

As primeiras críticas chegaram no mesmo dia em que se anunciou a mudança. A 7 de Agosto o texto “Moving Day” foi recebido por mais de 150 comentários onde a nota dominante era a desilusão com o sistema de “feeds” de RSS do jornal. Seguindo aliás a política dominante nos media, o NYT publica via RSS somente o título e uma pequena entrada, o que contrasta com os hábitos dos leitores de blogues, que por norma usam o sistema de texto integral – ou pelo menos uma sinopse. 

Dois dias depois Dubner dirigia-se aos “Dear Feed Readers” numa pequena nota onde dava conta das queixas e prometia um solução. A 17 de Agosto, novo texto sobre o assunto: “constatámos que aproximadamente 90 por cento das pessoas que seguiam este blogue através do “feed” de RSS viram a sua subscrição interrompida quando o mudámos para o NYT”, revelou Dubner. Pediu desculpa e acrescentou estar o problema resolvido, confirmando que o “feed” se irá manter parcial por causa do acordo.Nos 115 comentários seguintes a conversa azedou. 

“É absolutamente ridículo que não haja um feed completo”, comentou o leitor Se7en. “Foi um passo terrível, Freakonomics, absolutamente terrível (já para não mencionar tratar-se do NYT)”, concluiu. Outro leitor sintetizou o espírito geral: “eu também considero os “feeds” parciais uma afronta”, escreveu matt. “É um problema comum a quase todos os media. Por favor acompanhem a tecnologia e adaptem os vossos planos de negócio”. 

A 22 do mesmo mês, o terceiro post de Dubner intitulado “A última palavra (por ora) sobre o nosso feed RSS: um irritantemente longo e aborrecido post que agradará a rigorosamente ninguém” ( fonte ). Foi recebido com 200 comentários, a maioria dos quais de leitores a “baterem com a porta” explicando as suas razões. Os que continuam a ler avisam que darão naturalmente menos atenção ao blogue em virtude deste passar a ocupar menos área nos respectivos leitores de RSS, dizendo-se esperançados no regresso do “full text”. As sugestões apontam, quase sem excepção, para a inclusão de publicidade no “feed”, se for necessário. Do ponto de vista dos leitores é preferível ter os anúncios num “feed” completo do que ter um “feed” parcial que obriga a mudar de planos quando o querem ler na íntegra.

Não sendo o primeiro caso em que a opção dos jornais pelos “feeds” parciais é justamente criticada pelos leitores, este teve no entanto um impacto muito maior, podendo a prazo provocar uma mudança de orientação. Em Portugal a maioria dos jornais e sites noticiosos não usa, sequer, o RSS. Dos que já possuem “feeds”, nenhum pratica o conteúdo integral nem usa as ferramentas disponíveis para a sua métrica, promoção e até exploração comercial como o FeedBurner, bem conhecido na Internet.


O que é RSS?

O acrónimo RSS, Real Simple Syndication, designa um conjunto de formatos XML usados para distribuir informação na Internet. Ao contrário do HTML, que é uma linguagem de formatação dos conteúdos, o XML descreve o próprio conteúdo – o que o torna muito útil num meio com sobrecarga de informação: o RSS permite a intermediação de máquinas e infobots na selecção, recolha e separação de conteúdos, depois formatados para olhos humanos ou para redistribuição.

Um dos primeiros usos práticos: torna possível concentrar num único ponto, para leitura, uma grande quantidade de fontes. Os leitores compulsivos de blogues e sites noticiosos recorrem ao RSS para seguir fácil e rapidamente as novidades de 200 ou 300 títulos, sem ter de os verificar um por um. Para um jornal, usar o canal RSS é uma garantia de continuar visível para um número crescente de leitores.


Paulo Querido , jornalista

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