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QUEM MANDA INFLUENCIA SEMPRE

Novembro 23, 2007

Não pelos actos de mando, legítimos ou ilegítimos, mas porque vivemos num país que tem reverência com o poder, que tem pouco espaço para escapar à retaliação do poder, que tem pouco emprego fora dos cordelinhos do poder, que precisa sempre de qualquer decisão favorável do poder, que tem pouca, muito pouca, independência face ao poder e pouca, muito pouca, força cívica na opinião e na liberdade. É um velho atavismo, gostamos de ser mandados no corpo e na cabeça, nunca queremos responsabilidade, mas aceitamos a obediência. Somos desorganizados e incumpridores e desleixados, mas gostamos de saber que, algures, permanece uma ordem qualquer, para os outros claro, para os desviantes, para os mal-pensantes que têm a arrogância de não se entusiasmar com as regras do rebanho.

Portugal está cheio desta ordem do mando, como há muito tempo não se verificava. Ela está no PS, no PSD, no PP, no PCP e no BE, ela está no Governo dirigido por um conducator tecnocrático, autoritário e vingativo, para quem a liberdade e a democracia são valores menores subordinados à eficácia e ao culto do progresso, ela está numa comunicação social reverente e cada vez mais condicionada por agentes de comunicação profissionalizados, ela está numa economia tão dependente do Estado e do governo que se organiza mais para a influência junto ao poder do que para a competição, ela está numa sociedade civil tão dependente que não gera espaços de liberdade.

QUEM FICA MAIS POBRE DEVAGAR ACEITA CADA VEZ MAIS O MANDO

Porque é que já estivemos melhor e agora estamos pior e há retrocesso? Porque estamos a ficar mais pobres, com menos esperança, mais presos ao pouco que temos, mais confinados ao mesmo espaço minúsculo, todos em cima dos bens cada vez mais escassos a patrulhar para que os outros não fiquem com eles. Estamos a pagar o preço de um modelo “social” único, de uma Europa única, de um pensamento único que racionaliza este caminho para a pobreza como não tendo alternativa e pune a dissidência.

Só se pode ser pessimista e agir como pessimista, até porque a ideia de que os pessimistas não fazem nada é típíca dos optimistas na sua beatitude. (Abrupto)

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