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“INTELIGENT DESIGN”

Novembro 24, 2007


Acabei de assistir no Canal Dois, a uma emissão do Programa “Nova”, à volta do “Criacionismo”. Trata-se de uma controvérsia ocorrida numa comunidade rural americana, inspirada pela milenária luta entre a Ciência e Fé. Luta que já fez correr muito sangue à volta do mundo. E quando o sábio Galileu, que já aqui mencionei várias vezes, teve a coragem de dizer que era a Terra que girava à volta do Sol e não o Sol à volta da Terra, como era crença da Igreja Católica, o pobre estudioso, esteve prestes a ser queimado na fogueira da Inquisição, se não abjurasse de joelhos, as suas observações cientificas. Que a fé, exaltada pelo fanatismo, é muito perigosa. Basta ver o que está acontecendo no Iraque, com os bombistas suicidas e fanáticos do Islão.

O Creacionismo, ou “Inteligent Desig”, é uma crença religiosa, a qual postula que os humanos, os animais, as aves e os peixes foram desenhados e criados assim, e que a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, está errada. E a controvérsia está, em o Criacionismo querer passar por uma teoria científica, e não uma crença religiosa. Claro, a comunidade cientifica bateu o pé, e disse: ciência é ciencia, religião é religião, e há lugar para as duas mas sem misturas. Segundo a Ciência, criacionismo é uma crença, uma suposição, uma fé de cunho religioso, sem fundamento científico. Como não tem qualquer fundamento cientifico o que a Bíblia nos diz àcerca de criação do mundo em seis dias, com Deus, cansado do esforço, a “descansar” ao sétimo dia. A Terra era então o centro do Universo, havia sido criada há dez mil anos – não há dez triliões, mas apenas há dez mil – o Sol é que girava, a Terra era plana e estava quieta, as estrelas eram lamparinas suspensas no tecto do céu e outras coisas mais. A Bíblia não explica também, se Adão e Eva eram brancos, pretos ou amarelos, e como é que se produziram essas diferentes raças, se não houve evolução das espécies. Pelo menos os mulatos, sabemos nós, que foram os portugueses que os produziram, e isto não e uma crença religiosa, mas uma conclusão científica.

O objectivo dos criacionistas americanos, é desbancar as observações de Charles Darwin, sobre a evolução das espécies, dando carácter de ciência, a uma convicção religiosa. Ora a Ciência, é o esforço do homem para desvendar os mistérios da Criação. Ciência, não é religião. Não é uma crença, é um trabalho mental profundo, que analiza minuciosamente as ínfimas partículas de que é formado o Universo, de que nós, e toda a vida, somos parte integrante. A ciência não proselitiza nem vende na praça pública as suas verdades. A ciência não sofre da doença do ódio de que enfermam as religiões, que se guerreiam e contradizem .Todos os cientistas do mundo, são membros da mesma confraria. As suas verdades e experiências são partilhadas .São património da Humanidade. Muitos cientistas até crêem na existência de um ser superior responsável pela criação do Universo, e decerto pedem que essa Força Criadora, que eles procuram desvendar, os inspire nos seus esforços de descoberta. Os cientistas não criam. Descobrem. Levantam um poucochinho o véu do mistério, mas não se arrogam a petulância de dizer que tudo sabem, e que a Ciência é infalível.

E assim sendo, todos os que acreditam nas suas respectivas religiões, utilizam a ciência, mesmo sem acreditar nela.Quando ficam doentes, ou quando têm de extrair um tumor maligno, não confiam apenas nas orações. Eles entregam-se nas mãos de um médico, que pode ser incréu, judeu, católico, protestante , induista ou maometano… A Ciência não faz guerra à religião. A Religião é que, historicamente, tem feito guerra à Ciência. E não só à Ciência, mas a outras religioes. As relações entre as várias crenças não são bentas.

Acho que a Ciência tem sido mais pacífica. Ela procura desvendar os segredos do Universo, e aliviar as dores da humanidade. E presta os seus serviços a toda a gente, independentemente da cor da sua pele, nacionalidade ou religião. E se não fosse assim , não seria ciência pura, mas astrologia. Esta é uma atitude que devia ser imitada pelas religiões. A Ciência personifica a paz de que nos falou o Rabi da Galileia. Os cientistas americanos, não fazem guerra ou odeiam os cientistas do Irão, da Coreia do Norte, da Siria ou de qualquer outro país que o nosso chefe catologou como “inimigos”. Sejam eles comunistas, democratas ou republicanos, na comunidade científica, todos têm pousada. Porque todos trabalham na mesma vinha.

Mas,voltando à vaca fria, como se diz na Bairrada, o caso da tentativa dos criacionistas americanos, de introduzir a crença religiosa, nas escolas públicas, sob a capa de “ciência”, não surtiu efeito. E o Juiz Johnson, por acaso uma nomeação recomendada por Bush, sentenciou que o Criacionismo ou “Inteligent Design”, não é ciência, mas religião, e que o lugar da religião, é na igreja, e a Ciência, é parte da instrução pública e do progresso da Humanidade. E Darwin, mais uma vez, foi vingado.

Por Manuel Calado

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